"Nós conquistamos soberania com a nossa independência", diz Lula no Fórum Celac-África
Presidente defende multilateralismo, combate à fome e cooperação entre América Latina e África
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (21), durante o I Fórum de Alto Nível Celac-África, realizado em Bogotá, que os países da América Latina, Caribe e África devem preservar sua soberania e evitar interferências externas. Segundo informações divulgadas pela Presidência da República, o discurso ocorreu na sessão plenária do encontro.
"Nós não somos mais países colonizados. Nós conquistamos soberania com a nossa independência. Nós não podemos permitir que alguém possa se intrometer e ferir a integridade territorial de cada país", declarou o presidente.
Durante a fala, Lula também abordou o cenário internacional e o aumento de conflitos. "É importante que a gente não se esqueça nunca que o mundo de hoje está vivendo a maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial", disse. Ele mencionou ainda os gastos globais com armamentos e a persistência da fome. "Não podemos perder de vista que, enquanto foram gastos US$ 2,7 trilhões, em 2025, em armas e em guerras, nós ainda temos 630 milhões de pessoas passando fome."
Combate à fome e cooperação
O presidente convocou os países a priorizarem políticas para reduzir a pobreza e a insegurança alimentar. "Essa guerra que nós temos que fazer para acabar com a fome na África, na América Latina, acabar com o analfabetismo, acabar com a falta de energia elétrica. É essa guerra que nós temos que fazer", afirmou.
Ele citou que cerca de 340 milhões de pessoas enfrentam fome nas duas regiões e classificou o cenário como incompatível com a capacidade global de produção de alimentos. Lula afirmou ainda que o Brasil pretende contribuir com iniciativas voltadas à segurança alimentar, incluindo ações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e a articulação internacional da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.
Clima, energia e tecnologia
Entre os eixos de cooperação defendidos, Lula mencionou o enfrentamento à crise climática, com atenção a processos de desertificação e à preservação de florestas tropicais. "Apesar de não sermos historicamente responsáveis pelo aquecimento global, somos os mais afetados por eventos climáticos extremos", disse.
O presidente também destacou a transição energética e o potencial de produção de energia limpa, além da necessidade de ampliar o acesso à eletricidade. Em relação à tecnologia, defendeu investimentos em infraestrutura digital e governança de dados para ampliar o uso da inteligência artificial. "Precisamos de um modelo de cooperação que alinhe governança digital e respeito aos direitos fundamentais", afirmou.
Comércio e integração
Lula afirmou que o fortalecimento do comércio e dos investimentos é parte central da aproximação entre as regiões. Ele mencionou a importância de articulações entre instituições financeiras internacionais para ampliar o financiamento de projetos conjuntos.
O presidente também defendeu maior representação de países da América Latina e da África em organismos internacionais. "Não faz sentido que a América Latina e a África não tenham representação adequada no Conselho de Segurança da ONU", declarou.




