Entenda por que a União Soviética foi decisiva na vitória contra o nazismo
Exército Vermelho destruiu o núcleo militar da Alemanha nazista e pagou o maior preço humano da Segunda Guerra Mundial
247 – Celebrado em 9 de maio na Rússia e em diversos países da antiga União Soviética, o Dia da Vitória relembra o triunfo sobre a Alemanha nazista em 1945 e o papel decisivo desempenhado pela União Soviética na derrota de Adolf Hitler. Embora os Estados Unidos, o Reino Unido e outros aliados ocidentais tenham tido participação fundamental na guerra, foi no front oriental que ocorreu a maior parte dos combates, das mortes e da destruição do aparato militar nazista.
Os números da Segunda Guerra Mundial deixam pouca margem para dúvidas sobre a dimensão do esforço soviético. Estima-se que a União Soviética tenha perdido cerca de 27 milhões de pessoas entre militares e civis. Foram cidades arrasadas, milhões de deslocados e um território devastado pela invasão alemã iniciada em junho de 1941, na Operação Barbarossa — a maior ofensiva militar da história.
Historiadores apontam que aproximadamente 75% das perdas militares da Alemanha nazista ocorreram no front oriental, contra as forças soviéticas. O Exército Vermelho enfrentou a espinha dorsal das tropas de Hitler e foi responsável pelas batalhas mais sangrentas e decisivas da guerra.
A invasão nazista e a resistência soviética
Quando Hitler lançou a Operação Barbarossa, em 22 de junho de 1941, a Alemanha mobilizou cerca de 3 milhões de soldados para invadir a União Soviética. O objetivo era destruir o Estado soviético, conquistar territórios estratégicos e transformar populações inteiras em mão de obra escravizada.
Nos primeiros meses, os alemães avançaram rapidamente, cercando cidades e provocando perdas gigantescas ao Exército Vermelho. Mesmo assim, a resistência soviética impediu o colapso do país.
A batalha de Moscou, entre o fim de 1941 e o início de 1942, marcou a primeira grande derrota estratégica de Hitler. Com o inverno rigoroso, dificuldades logísticas e uma resistência feroz, os nazistas fracassaram em tomar a capital soviética.
A vitória soviética em Moscou teve enorme impacto político e psicológico. Até então, o exército alemão parecia invencível.
Stalingrado: a batalha que mudou a guerra
Se Moscou representou o primeiro grande freio ao avanço nazista, foi em Stalingrado que a Alemanha sofreu sua derrota mais devastadora.
Travada entre agosto de 1942 e fevereiro de 1943, a Batalha de Stalingrado é considerada por muitos historiadores o ponto de virada da Segunda Guerra Mundial.
A cidade, localizada às margens do rio Volga, tornou-se palco de combates urbanos brutais. Soldados lutavam rua por rua, prédio por prédio e até andar por andar.
O Exército Vermelho cercou as tropas alemãs do marechal Friedrich Paulus em uma gigantesca operação militar conhecida como Operação Urano. Sem suprimentos e isoladas, as forças nazistas acabaram derrotadas.
Cerca de 2 milhões de pessoas morreram, ficaram feridas ou desapareceram na batalha. Aproximadamente 300 mil soldados alemães e aliados foram cercados. Apenas uma fração voltou para casa após a guerra.
A derrota em Stalingrado destruiu o mito da invencibilidade nazista e mudou o equilíbrio estratégico do conflito.
Kursk: a maior batalha de tanques da história
Após Stalingrado, Hitler tentou recuperar a iniciativa militar em 1943 com a ofensiva de Kursk.
A batalha ficou marcada como o maior confronto de blindados da história, envolvendo cerca de 6 mil tanques, 4 mil aeronaves e mais de 2 milhões de soldados.
Os soviéticos, já preparados para a ofensiva alemã, construíram linhas defensivas profundas, com trincheiras, minas e artilharia pesada.
O fracasso alemão em Kursk encerrou definitivamente a capacidade ofensiva estratégica do Terceiro Reich no front oriental.
A partir dali, o Exército Vermelho passou a avançar continuamente rumo ao oeste, libertando territórios ocupados pelos nazistas.
O cerco de Leningrado e o sofrimento civil
Outra página dramática da guerra foi o cerco de Leningrado, atual São Petersburgo.
A cidade ficou bloqueada pelas forças alemãs por quase 900 dias, entre 1941 e 1944. A fome, o frio e os bombardeios provocaram a morte de mais de 1 milhão de civis.
Mesmo em condições extremas, a cidade resistiu.
O sofrimento da população soviética durante a guerra foi gigantesco. Vilarejos inteiros foram destruídos, milhões de civis foram executados e vastas regiões ficaram em ruínas.
A marcha até Berlim
Entre 1944 e 1945, o Exército Vermelho realizou uma série de ofensivas que empurraram os alemães para dentro do próprio território europeu controlado pelo Reich.
A Operação Bagration, lançada em junho de 1944, destruiu o Grupo de Exércitos Centro da Alemanha nazista e é considerada uma das maiores derrotas militares da história alemã.
Enquanto os aliados ocidentais avançavam após o Dia D na Normandia, os soviéticos já empurravam os nazistas em direção à Europa Central.
Em abril de 1945, tropas soviéticas cercaram Berlim.
A Batalha de Berlim foi o golpe final contra o Terceiro Reich. Após intensos combates urbanos, soldados soviéticos ergueram a bandeira vermelha sobre o Reichstag, símbolo máximo da derrota nazista.
Hitler se suicidou em 30 de abril de 1945.
Dias depois, em 9 de maio no horário de Moscou, a Alemanha assinou sua rendição definitiva.
Os grandes números da guerra
A dimensão do esforço soviético impressiona até hoje:
- Cerca de 27 milhões de soviéticos morreram durante a guerra
- Mais de 8 milhões de militares soviéticos perderam a vida
- Aproximadamente 19 milhões de civis soviéticos morreram
- A União Soviética destruiu a maior parte das divisões militares alemãs
- Estima-se que entre 70% e 75% das perdas militares alemãs ocorreram no front oriental
- Mais de 1.700 cidades soviéticas foram destruídas
- Cerca de 70 mil vilarejos foram arrasados
- A Batalha de Stalingrado deixou aproximadamente 2 milhões de mortos e feridos
- O cerco de Leningrado matou mais de 1 milhão de civis
- A Batalha de Kursk envolveu mais de 2 milhões de soldados e cerca de 6 mil tanques

O papel da União Soviética na memória histórica
A vitória sobre o nazismo permanece como um dos pilares centrais da identidade histórica russa e da memória coletiva dos povos da antiga União Soviética.
Na Rússia contemporânea, o Dia da Vitória é celebrado com desfiles militares, homenagens aos veteranos e atos públicos que ressaltam o sacrifício humano feito durante a guerra.
Ao longo das últimas décadas, historiadores têm reiterado que a derrota da Alemanha nazista só foi possível graças ao esforço conjunto dos aliados. Ainda assim, há amplo consenso de que a União Soviética arcou com o maior custo humano e militar do conflito.
Foi o Exército Vermelho que destruiu o núcleo central das forças nazistas e chegou primeiro a Berlim, encerrando a guerra na Europa.


