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O declínio do petrodólar desmonta o império dos EUA, afirma Richard Wolff

Economista diz que guerra contra o Irã expõe fragilidade de Washington, acelera perda de força do dólar e revela desespero de um império em declínio

Richard Wolff e Glenn Diesen (Foto: Brasil 247)

247 – O economista Richard Wolff afirmou que a ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã pode estar acelerando o declínio do petrodólar e expondo a fragilidade estrutural do império estadunidense. Em entrevista ao jornalista Glenn Diesen, publicada no YouTube, Wolff analisou os impactos econômicos e geopolíticos da chamada “fúria econômica” do governo Donald Trump contra Teerã.

Segundo Wolff, a estratégia de Washington é marcada por contradições. De um lado, os Estados Unidos tentam sufocar o Irã com sanções e bloqueios. De outro, precisam evitar uma disparada nos preços do petróleo e uma crise de liquidez em dólares.

“Basicamente o petrodólar está se desfazendo em certa medida”, afirmou o economista.

Ele explicou que países do Golfo dependem da venda de petróleo e gás em dólares para pagar dívidas e reinvestir nos mercados financeiros dos EUA. Com o fechamento do Estreito de Ormuz e a queda nas exportações, esses países podem ser forçados a vender títulos do Tesouro americano e ações para obter liquidez.

Risco para os juros e para Wall Street

Wolff alertou que uma venda em massa de títulos americanos pelos países do Golfo poderia elevar os juros nos Estados Unidos em um momento de grande vulnerabilidade econômica.

“A gente já está à beira de uma recessão agora”, disse.

Para ele, Trump não pode se dar ao luxo de ver os juros subirem ou Wall Street entrar em queda forte. Isso atingiria justamente a parcela mais rica da sociedade americana, que ainda sustenta parte importante de sua base política.

Trump, Irã e a busca por uma vitória simbólica

O economista afirmou que Trump perdeu apoio em três frentes: no caso Epstein, na economia doméstica e na promessa de não envolver os EUA em novas guerras.

Sobre o Irã, Wolff disse que a aposta inicial de Washington era provocar uma mudança de regime rápida, com a eliminação de lideranças políticas e militares. Mas, segundo ele, o plano fracassou.

“É um esforço desesperado para sair dessa com o mínimo de dano possível neste momento”, afirmou.

Ainda assim, Wolff avalia que Trump tentará vender algum gesto militar ou simbólico como vitória, mesmo que a realidade estratégica seja desfavorável aos EUA.

Declínio do império americano

Na parte final da entrevista, Wolff associou a crise atual ao declínio mais amplo do capitalismo americano e da hegemonia dos Estados Unidos.

“Eu acredito que a melhor forma de entender o que está acontecendo é ver isso como declínio do império americano”, disse.

Ele citou a ascensão da China, o fortalecimento dos BRICS e a perda gradual de importância do dólar nas reservas globais como sinais desse processo.

“O dólar ainda é uma parte importante da economia mundial. Os Estados Unidos ainda são uma parte importante. Eu nunca diria o contrário. Eu não digo que o império acabou. Eu não digo que o capitalismo americano terminou. O que eu digo é que ele está em declínio”, afirmou.

Sanções e consequências não intencionais

Wolff também avaliou que a guerra na Ucrânia já havia exposto a ineficácia das sanções ocidentais. Agora, a ofensiva contra o Irã revelaria novas consequências não intencionais da política externa americana.

Para o economista, os EUA agem como se ainda fossem uma potência hegemônica incontestável, incapazes de aceitar a transformação da ordem mundial.

“A negação também faz parte do próprio declínio”, concluiu.
O declínio do Império, segundo Richard Wolff

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