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Pepe Escobar: acordo entre Irã e EUA ainda é possível, mas entra em fase decisiva e perigosa

Em análise no Pepe Café, jornalista afirma que China e Paquistão trabalham para evitar nova escalada militar e construir uma saída diplomática para a crise

Pepe Escobar: acordo entre Irã e EUA ainda é possível, mas entra em fase decisiva e perigosa (Foto: Brasil 247)
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247 – A possibilidade de um acordo entre Irã e Estados Unidos “não está morta”, mas atravessa seu momento mais delicado desde o início das negociações. A avaliação foi feita pelo jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar durante uma edição do Pepe Café, seu programa semanal no YouTube, gravada em Xangai, na China.

Segundo Escobar, China e Paquistão estão desempenhando um papel decisivo nos bastidores para evitar o colapso das conversas entre Teerã e Washington e criar condições para um entendimento que possa encerrar a atual fase de tensão no Oeste da Ásia. O analista sustenta que, apesar do clima de pessimismo que dominou parte da semana, ainda existe uma possibilidade concreta de avanço diplomático.

“A possibilidade de um acordo entre os americanos e iranianos não está morta, ela está entrando agora no período mais difícil e mais perigoso”, afirmou.

De acordo com a análise apresentada no Pepe Café, a volatilidade do cenário aumentou após sinais contraditórios vindos da administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Escobar argumenta que as mudanças frequentes de posição de Washington alimentam a desconfiança entre os negociadores e dificultam a construção de um acordo duradouro.

Paquistão assume papel estratégico

Na avaliação do jornalista, o Paquistão tornou-se um dos principais canais de comunicação entre o Irã, representantes ligados ao governo Trump e as monarquias do Golfo. O país também estaria coordenando esforços diplomáticos com Pequim para evitar uma nova escalada militar.

Escobar destacou a recente visita a Pequim de uma delegação paquistanesa de alto nível, incluindo o primeiro-ministro e o chefe das Forças Armadas do país, Asim Munir, recebidos pelo presidente chinês Xi Jinping. Segundo ele, o encontro reforçou a coordenação sino-paquistanesa sobre os desdobramentos da crise regional.

“O Paquistão, no momento, é a âncora fundamental, se houver qualquer possibilidade de um prenúncio de acordo, não só finalizando a guerra, mas indo além”, afirmou.

O jornalista também ressaltou a importância dos laços religiosos e políticos entre Paquistão e Irã, observando que Islamabad busca construir confiança junto à liderança iraniana em um momento considerado crítico para o futuro da região.

China atua como garantidora das negociações

Segundo Escobar, a China acompanha todas as etapas das negociações e desempenha o papel de principal garantidora política do eventual acordo. Ele afirma que Pequim mantém contato permanente com iranianos, paquistaneses e russos e está preparada para respaldar qualquer entendimento que venha a ser alcançado.

Na visão do analista, caso um acordo seja efetivamente firmado, a China surgirá como a principal vencedora diplomática do processo.

“Sem disparar um tiro, a China vai ser a grande vencedora, se houver um acordo entre Estados Unidos e Irã”, declarou.

Escobar argumenta que a diplomacia chinesa opera de forma discreta, mas exerce influência decisiva sobre os acontecimentos, especialmente após os encontros recentes de Xi Jinping com diferentes líderes internacionais.

Nova arquitetura de segurança regional

Outro ponto central da análise é a transformação em curso na arquitetura de segurança do Oeste da Ásia. Segundo Escobar, parte das monarquias do Golfo já estaria se adaptando a um cenário em que o Paquistão assume responsabilidades crescentes na estabilidade regional, em cooperação com Arábia Saudita e outros países da região.

O analista cita ainda movimentos de normalização entre Irã, Omã e Catar, incluindo discussões sobre regras de navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta para o comércio global de petróleo.

Ao mesmo tempo, Escobar vê com preocupação o papel dos Emirados Árabes Unidos e das disputas geopolíticas envolvendo Índia e Irã. Segundo ele, essas tensões representam um desafio adicional para a estabilidade regional e até mesmo para a coesão dos BRICS.

Dias decisivos para o futuro das negociações

Apesar das dificuldades, o jornalista afirma que ainda existe uma janela de oportunidade para que as partes cheguem a um memorando de entendimento capaz de abrir negociações mais amplas.

“Pode ser que tenha um colapso absoluto nos próximos dias ou pode ser que eles se segurem e na semana que vem a gente tenha talvez o início de uma longa negociação”, avaliou.

Segundo Escobar, os interlocutores com acesso direto às conversas mantêm uma cautelosa expectativa positiva. A percepção predominante entre os negociadores seria a de que um acordo continua possível, embora o caminho seja extremamente complexo.

“A gente sabe que é escalar um pico do Himalaia ou dos Pamiras e que vai ser muito difícil, mas não tem outra”, relatou, reproduzindo a avaliação de negociadores envolvidos no processo.

Impacto global

Para o analista, o fracasso das negociações teria consequências econômicas e geopolíticas profundas. Uma retomada da guerra, afirma, poderia agravar ainda mais a desaceleração econômica global e provocar novos choques nos mercados internacionais.

“Ninguém quer essa saída”, disse.

Por isso, conclui Escobar, os próximos dias serão decisivos. Caso seja alcançado ao menos um entendimento preliminar, haverá espaço para uma negociação mais longa e estruturada. Se isso ocorrer, argumenta o jornalista, os benefícios poderão ultrapassar os interesses das partes diretamente envolvidas.

“Quem vai ganhar nesse caso é o planeta inteiro”, afirmou.

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