BNDES retoma crédito com juros reduzidos para financiar máquinas tecnológicas na indústria
Linha do banco oferece taxas abaixo da Selic para modernização industrial, inovação 4.0 e equipamentos sustentáveis
247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) retomou nesta quinta-feira (7) a operação de uma linha de crédito voltada ao financiamento de máquinas e equipamentos de alto teor tecnológico, digital e sustentável. As taxas de juros foram definidas em patamares inferiores à Selic, atualmente em 14,50% ao ano, com o objetivo de estimular a modernização do parque industrial brasileiro e ampliar a produtividade da economia. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo.
O programa atenderá grandes empresas com juros de 6,94% ao ano nas operações voltadas à chamada indústria 4.0, enquanto pequenas e médias empresas terão acesso a financiamentos com taxa de 5,85% ao ano. Já os projetos ligados a equipamentos sustentáveis, classificados como “verdes”, contarão com juros de 6,5% ao ano. Além dessas taxas, haverá cobrança adicional de spread pelos agentes financeiros responsáveis pelo repasse dos recursos.
Para viabilizar os juros favorecidos, o BNDES estruturou uma combinação de fontes de financiamento. No caso da linha destinada a equipamentos tecnológicos e digitais, o banco utilizou recursos do programa Mais Inovação, vinculados à Taxa Referencial (TR), somados a recursos próprios captados a taxas de mercado. Já as operações voltadas à sustentabilidade contarão com verbas do Fundo Clima.
A nova etapa do programa também permitirá que produtores do agronegócio tenham acesso ao crédito para aquisição de equipamentos com tecnologia avançada. Outra novidade é a inclusão de itens classificados como “bens de informática” entre os produtos financiáveis.
Em entrevista ao O Globo, o diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, José Gordon, afirmou que a iniciativa faz parte da estratégia do governo federal de aumentar a competitividade da indústria brasileira e elevar o nível tecnológico da economia.
“A maioria das empresas brasileiras, hoje, têm maquinário antigo, defasado tecnologicamente. Então, tem uma preocupação no governo, no âmbito da NIB (Nova Indústria Brasil), de trabalhar para a renovação do parque fabril, para que as empresas consigam entrar nesse mundo de conectividade, de inteligência artificial, de 4.0, de internet das coisas”, declarou Gordon.
Segundo o executivo, a linha de crédito teve forte adesão no ano passado, permitindo a compra de mais de mil máquinas e equipamentos industriais. O banco aposta agora em uma nova rodada de investimentos para acelerar a digitalização e a modernização da indústria nacional.
José Gordon também rebateu críticas de que a ampliação do crédito poderia ter motivação eleitoral. Segundo ele, o apoio à indústria é uma política pública adotada desde o início do atual governo federal.
“O apoio ao setor industrial é uma política que vem desde o início deste mandato”, afirmou o diretor, destacando ainda que a participação da indústria nas operações do BNDES subiu de 17% para 30% nos últimos anos.
Ainda de acordo com Gordon, aproximadamente R$ 300 bilhões já foram emprestados ao setor industrial desde o início da atual gestão. Para o banco, a continuidade da linha de crédito responde à demanda crescente das empresas por modernização tecnológica e ganho de produtividade.


