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Confiança da indústria registra pior janeiro em uma década, aponta CNI

ICEI sobe levemente em 2026, mas permanece abaixo de 50 pontos e reflete impacto dos juros altos sobre o humor do setor industrial

Unidade piloto marca um avanço estratégico na pesquisa e desenvolvimento de tecnologias para a gestão sustentável de resíduos plásticos e para a transição para economia de baixo carbono (Foto: Coppe/UFRJ)

247 - A confiança do empresariado industrial brasileiro iniciou 2026 em patamar historicamente baixo. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) alcançou 48,5 pontos em janeiro, após avançar 0,5 ponto em relação ao mês anterior, mas ainda assim marcou o pior resultado para um mês de janeiro nos últimos dez anos, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (21) pela Confederação Nacional da Indústria. A marca permanece abaixo da linha dos 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança no indicador, conforme a metodologia da entidade. 

Mesmo com a leve recuperação mensal, o resultado reforça um cenário de cautela persistente entre os industriais. O último janeiro com desempenho mais negativo foi o de 2016, em meio à recessão econômica, quando o ICEI chegou a 36,6 pontos. Para a CNI, o principal fator por trás do atual nível reduzido de confiança é o custo elevado do crédito, consequência do ciclo de alta da taxa básica de juros.

Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o ambiente de juros restritivos vem afetando de forma contínua as expectativas do setor. “A confiança do empresário vem baixa desde o início do ano passado, respondendo à elevação da taxa Selic, que aconteceu a partir do fim de 2024. À medida em que a taxa de juros aumentou e os efeitos foram mais sentidos na atividade econômica, a falta de confiança se consolidou”, afirmou.

Os dados detalhados do levantamento mostram que a percepção sobre a situação atual segue negativa. O Índice de Condições Atuais avançou apenas 0,2 ponto em janeiro, chegando a 44 pontos, o que indica que os industriais continuam avaliando que tanto a economia brasileira quanto os próprios negócios estão em situação pior do que há seis meses. A pequena melhora foi influenciada por uma visão menos pessimista em relação às condições internas das empresas, enquanto a avaliação sobre a economia nacional apresentou deterioração.

Em contraste com o diagnóstico do presente, as expectativas para o futuro próximo mostram sinais mais favoráveis. O Índice de Expectativas subiu 0,7 ponto, passando de 50 para 50,7 pontos, movimento que sinaliza a saída da neutralidade e o retorno de um leve otimismo para os próximos seis meses. Esse avanço, contudo, está concentrado principalmente nas projeções para o desempenho das próprias empresas, já que as perspectivas em relação à economia como um todo tornaram-se mais negativas.

A pesquisa que embasa a edição de janeiro do ICEI ouviu 1.058 empresas industriais em todo o país, sendo 426 de pequeno porte, 383 médias e 249 grandes, entre os dias 5 e 9 de janeiro de 2026. O levantamento busca captar, de forma antecipada, o sentimento do setor produtivo e é considerado um dos principais termômetros da atividade industrial brasileira.

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