Governo federal reduz garimpo ilegal em 99% na Terra Yanomami
Governo reduz garimpo ilegal em 99% na Terra Yanomami com cerco logístico, fiscalização permanente e mais de 10 mil ações
247 - O governo federal reduziu em 99% o surgimento de novos garimpos ilegais na Terra Indígena Yanomami por meio de uma estratégia de cerco logístico, fiscalização permanente e mais de 10 mil ações realizadas desde março de 2024, segundo levantamento oficial do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia, o Censipam.
A ofensiva contra o garimpo ilegal tem como eixo central a interrupção das rotas de abastecimento usadas por invasores para manter a exploração mineral no território indígena. As ações da Operação de Desintrusão da Terra Indígena Yanomami concentraram esforços, em maio, na fiscalização de aeronaves, pistas clandestinas, combustíveis, embarcações, postos de abastecimento e caminhos utilizados para transportar equipamentos, alimentos e insumos às áreas de garimpo.
A estratégia busca impedir que novas frentes de exploração sejam abertas na floresta. A presença contínua de equipes federais em áreas estratégicas dificulta a reorganização dos invasores e amplia a capacidade de monitoramento em regiões remotas, historicamente impactadas pela atividade ilegal.
Cerco logístico mira abastecimento do garimpo ilegal
Em maio de 2026, foram realizadas 310 ações de combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. No período, as equipes fizeram 1.060 abordagens e fiscalizaram 1.029 veículos, 53 aeronaves, 15 pistas de pouso e seis postos de abastecimento.
As operações resultaram na apreensão de duas aeronaves, dois armamentos, uma embarcação e duas máquinas leves. Também foram inutilizados 19 acampamentos, 10 balsas, nove embarcações, nove esteiras separadoras de minério, uma aeronave, uma antena de comunicação, 41 motores, 11 geradores e 47 máquinas leves.
As equipes também inutilizaram 1.537 litros de óleo diesel, 640 litros de combustíveis e 900 quilos de cassiterita. O objetivo é atingir diretamente a infraestrutura que permite a permanência de garimpeiros ilegais no território e a continuidade da exploração mineral.
Forças federais atuam em diferentes regiões da Terra Yanomami
As ações terrestres, fluviais e aéreas se espalharam por diferentes pontos da Terra Indígena Yanomami. Em Onkiola e na Pista do Dicão, equipes da Força Nacional de Segurança Pública e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas, a Funai, localizaram e inutilizaram acampamentos, motores, geradores, esteiras usadas na separação de minério e estoques de cassiterita.
Na região do Aracaçá, foram identificadas estruturas de apoio ao garimpo ilegal, como combustíveis, placas solares, rádios de comunicação e outros equipamentos usados para manter invasores em áreas remotas.
O Comando Conjunto Catrimani II, que reúne Exército, Marinha e Aeronáutica, também manteve operações permanentes em áreas atingidas pela exploração ilegal. Na última semana de maio, militares das Forças Armadas realizaram patrulhamentos fluviais e ações de varredura nas regiões de Herepi e do Garimpo do Baiano, a partir das estruturas avançadas de Waikás e Kayanaú.
Funai reforça monitoramento em áreas remotas
Além da atuação das forças de segurança, servidores da Funai participam de forma permanente das ações de proteção territorial. As equipes da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye’kwana contribuem para identificar acampamentos, mapear rotas usadas por invasores e apoiar fiscalizações dentro da Terra Indígena.
A presença desses servidores em regiões de difícil acesso fortalece o monitoramento de áreas sensíveis e ajuda a impedir que estruturas de apoio ao garimpo ilegal sejam reconstruídas após as operações de retirada e inutilização.
Fiscalização também ocorre fora da Terra Indígena
A operação também alcança áreas externas ao território Yanomami, consideradas corredores logísticos para abastecimento dos garimpos. Com apoio da Força Nacional, a Agência Nacional de Transportes Terrestres, a ANTT, realizou fiscalizações em Mucajaí, Apiaú, Campos Novos e Roxinho.
Em uma das abordagens, os agentes identificaram o transporte de alimentos destinados a invasores que atuavam dentro da Terra Indígena. Ao mesmo tempo, os órgãos envolvidos seguem monitorando redes de fornecimento de motores, combustíveis, mercúrio e equipamentos de comunicação usados para sustentar a exploração mineral ilegal.
A Polícia Rodoviária Federal, a PRF, também atuou no controle das rotas de escoamento do minério. Em uma ação na BR-174, foram apreendidos cerca de quatro quilos de ouro transportados sem documentação fiscal ou autorização ambiental.
Mais de 10 mil ações desde a Casa de Governo
Os resultados de maio integram um esforço contínuo iniciado com a abertura da Casa de Governo, em março de 2024. Desde então, a Operação de Desintrusão da Terra Indígena Yanomami contabiliza 10.554 ações.
Nesse período, foram apreendidos 184 veículos, 51 embarcações, 164 armamentos, 3.595 munições, 249 quilos de ouro e mais de uma tonelada de mercúrio. Também foram inutilizados 907 acampamentos, 87 pistas de pouso, 55 aeronaves, 312 embarcações, 171 balsas, 39 dragas, 529 esteiras separadoras de minério, 201 antenas de comunicação, 578 geradores e 2.229 motores.
O bloqueio das rotas de abastecimento também levou à inutilização de mais de 254 mil litros de óleo diesel, 65 mil litros de gasolina e 16 mil litros de gasolina de aviação.
Operações causam prejuízo estimado de R$ 709 milhões
Desde março de 2024, as ações integradas resultaram ainda em mais de 53 mil abordagens, 46 mil fiscalizações de veículos, 1.869 fiscalizações de aeronaves e 597 fiscalizações em pistas de pouso.
O balanço oficial registra 369 prisões e detenções, 48 embargos, 283 notificações e R$ 12,3 milhões em multas aplicadas. Segundo o governo, o conjunto das operações causou prejuízo estimado em R$ 709 milhões ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami.
A estratégia federal segue voltada à interrupção das rotas de abastecimento, à destruição de estruturas de apoio e à manutenção da presença permanente em áreas consideradas estratégicas, com foco na redução da atividade garimpeira e no fortalecimento da proteção das comunidades indígenas.



