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São Paulo cria projeto piloto de conservação para salvar araucária da extinção

Programa oferece recursos a produtores e ONGs para preservar espécie ameaçada

Representação de floresta de araucárias (Foto: Gerada por IA/DALL-E)

247 - O governo de São Paulo lançou um edital que prevê o pagamento de até R$ 36 mil para produtores rurais e até R$ 250 mil para organizações interessadas em preservar a araucária, espécie ameaçada de extinção e com risco de perder seu habitat até 2070. A iniciativa foi anunciada em Cunha, no Vale do Paraíba, e busca aliar conservação ambiental à geração de renda por meio da cadeia produtiva do pinhão.

O programa, chamado Pagamento por Serviços Ambientais Araucária (PSA Araucária), é coordenado pela Fundação Florestal, ligada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). A proposta incentiva o plantio, a restauração de áreas e o uso sustentável da espécie, envolvendo produtores rurais e organizações da sociedade civil

A secretária da pasta, Natália Resende, destacou a estratégia adotada pelo governo paulista. “Este edital reforça o compromisso do Governo de São Paulo com soluções inovadoras de conservação, que integram proteção ambiental, desenvolvimento sustentável e geram valor de mercado e renda no território”, afirmou

Cunha concentra produção e tradição do pinhão

O município de Cunha foi escolhido para o projeto piloto por concentrar mais de 95% da coleta de pinhão no estado. Dados da Semil indicam que, entre 2023 e 2025, produtores locais colheram mais de 1,1 mil toneladas da semente. Para 2026, a expectativa é superar 368 toneladas

A iniciativa foi apresentada durante a 16ª Exposição do Pinheiro Brasileiro de Cunha, reunindo agricultores que atuam há gerações na atividade. Um deles é Ademar Monteiro, que trabalha com a colheita há décadas

“O projeto vai ser bom, porque o pinhão tem muito valor na nossa região. O problema é a mão de obra; as árvores envelhecem e é preciso estimular o plantio”, disse

Economia verde e incentivo à bioeconomia

O PSA Araucária faz parte de uma estratégia de estímulo à economia verde, incentivando práticas sustentáveis e o fortalecimento da cadeia produtiva do pinhão. Enquanto a coleta da semente é permitida de forma controlada, o corte da araucária permanece altamente restrito devido à exploração excessiva ao longo dos anos

O programa prevê apoio financeiro para ações como preservação de árvores existentes, plantio de mudas, recuperação de áreas de preservação permanente e implantação de pomares

Segundo o diretor-executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz, a proposta amplia o alcance das políticas ambientais. “Assim como os outros programas de PSA da Fundação Florestal, a proposta é trazer soluções sustentáveis e sociais dentro do meio ambiente, com um olhar atento à conservação de uma espécie essencial para a Mata Atlântica com o apoio das próprias comunidades locais”, explicou

Comunidade local reforça urgência da preservação

Moradores da região também destacam a importância do projeto para o futuro da atividade. Euza Monteiro, de 73 anos, defende a necessidade de ampliar o plantio

“Se a gente arrumar tudo direitinho, é uma coisa boa, porque daqui a pouco não tem pinhão. Se não plantar e não cuidar, vai acabar – e já está acabando. Agora que está tendo o projeto, é plantar para colher”, afirmou

Critérios e participação no edital

O edital permite a participação de produtores rurais, com prioridade para agricultores familiares e pequenos produtores, além de organizações sem fins lucrativos que atuem na conservação da araucária

Entre os requisitos estão documentação pessoal, cadastro ambiental rural, vínculo com o imóvel e conta bancária ativa. As organizações devem comprovar atuação mínima de 12 meses na área

Política ambiental e expansão do programa

O PSA Araucária integra o programa Pró-Araucária, estruturado em 2025, que atua em seis frentes, incluindo restauração ecológica, capacitação técnica e valorização de conhecimentos tradicionais

A iniciativa também se soma a outras medidas, como a flexibilização da coleta do pinhão, adotada em 2023, que antecipou o período permitido para a atividade

Atualmente, São Paulo conta com 61 programas de pagamento por serviços ambientais, beneficiando cerca de 1,4 mil famílias em ações de conservação e manejo sustentável em diferentes regiões do estado

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