HOME > Mídia

"Estou me sentindo um imbecil", diz Oinegue, por acreditar em Paulo Henrique Costa (vídeo)

Jornalista da Band reage com indignação à prisão do ex-presidente do BRB e critica esquema bilionário envolvendo o Banco Master

Eduardo Oinegue (Foto: Band TV)

247 – A prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, provocou forte reação do jornalista Eduardo Oinegue, que expressou indignação ao comentar o caso após as revelações da Operação Compliance Zero. Em análise exibida pela Band, emissora que havia entrevistado o então dirigente do banco público em abril do ano passado, Oinegue afirmou sentir-se enganado diante das suspeitas que vieram à tona.

Segundo comentário exibido pela Band, Paulo Henrique Costa foi preso pela Polícia Federal por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, sob acusação de ter recebido R$ 150 milhões em propina de Daniel Vorcaro, pagos por meio de imóveis, em troca de favorecer uma operação que poderia causar prejuízo bilionário ao BRB.

Ao iniciar sua análise, o jornalista foi direto ao expressar frustração. “Você já se sentiu um imbecil? Pois é, hoje eu estou me sentindo um imbecil”, declarou, ao lembrar que entrevistou o então presidente do banco em um momento em que ele era visto como um executivo legítimo conduzindo negociações relevantes no setor financeiro.

Oinegue explicou que, à época, fazia sentido ouvir Paulo Henrique Costa, já que o BRB estava envolvido na tentativa de compra do Banco Master — uma operação amplamente discutida no mercado financeiro e acompanhada com expectativa por investidores e analistas.

No entanto, com o avanço das investigações, o cenário mudou completamente. O jornalista afirmou que ninguém imaginava que o executivo estivesse, segundo as acusações, envolvido em um esquema de fraude e corrupção. “Só que em abril do ano passado, a gente não tinha a menor ideia, ninguém tinha a menor ideia de que esse tal de Paulo Henrique Costa era um vigarista que estava negociando não uma coisa, duas: de um lado a compra de títulos que não valiam coisa alguma para empurrar pro BRB e de outro a transferência pra ele de um mega patrimônio”, disse.

Acusações envolvem propina e ativos fraudulentos

De acordo com o relato apresentado por Oinegue, Paulo Henrique Costa teria recebido parte de uma propina de R$ 150 milhões paga por Daniel Vorcaro, por meio de seis apartamentos — quatro em São Paulo e dois em Brasília. Em troca, teria se comprometido a fazer o BRB adquirir cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master.

O impacto potencial dessa operação seria expressivo. “Rombo projetado no BRB: cinco bilhões de reais no mínimo, tem gente que diz que é muito mais”, afirmou o jornalista, destacando o risco ao patrimônio de um banco público.

Para Oinegue, a gravidade do caso é ampliada pelo fato de o BRB ser uma instituição estatal, o que implica uso de recursos que têm origem no contribuinte. Ele também criticou a postura do ex-presidente durante a entrevista concedida à emissora.

“Se você for às redes sociais você vai poder ver a cara de pau desse homem respondendo as perguntas que a gente fez como se ele fosse o executivo mais sério, mais íntegro do mundo. E como se a compra do Master fosse uma operação extraordinária pro futuro do BRB”, afirmou.

Mensagens revelam proximidade entre investigados

O jornalista também mencionou mensagens trocadas entre Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro, que fazem parte do processo. Em uma delas, segundo relatado, o ex-presidente do BRB escreve: “Olha, conversei com a minha esposa, estaremos em São Paulo na próxima semana, seria legal mostrar o apartamento pra ela”.

Para Oinegue, o conteúdo dessas conversas evidencia a relação entre os investigados e reforça as suspeitas de vantagens indevidas vinculadas à operação.

Ele também citou outra mensagem em que Costa demonstraria entusiasmo com o que estava sendo “construído”. O jornalista reagiu com dureza: “Aí tem uma outra que mostra o grau de canalhice dos dois quando o Paulo Henrique diz que está empolgado com o que os dois estavam construindo. Construindo o que? Eles estavam destruindo”.

Possível delação pode ampliar escândalo

Na parte final de sua análise, Oinegue afirmou que Daniel Vorcaro pode estar preparando uma delação, que poderia trazer novos desdobramentos já nas próximas semanas. Segundo ele, o caso ainda pode atingir outros envolvidos.

“Daniel Vorcaro parece que está construindo mesmo uma delação, dizem que pode sair alguma coisa agora em maio. Se essa delação sair, a gente vai descobrir quantos outros Paulo Henrique Costa enfiaram o pé na lama do caso Master”, declarou.

Em tom contundente, o jornalista concluiu sua análise defendendo punição rigorosa. “Que apodreçam todos na cadeia”, disse.

Caso amplia crise institucional

A prisão de Paulo Henrique Costa intensifica a crise envolvendo o BRB e o Banco Master, com suspeitas de corrupção, fraude e uso indevido de recursos públicos em larga escala. O episódio também levanta questionamentos sobre governança em instituições financeiras públicas e reforça a expectativa por novos desdobramentos com o avanço das investigações.

A repercussão do caso, amplificada por declarações como as de Eduardo Oinegue, indica que o escândalo deve permanecer no centro do debate político e econômico nas próximas semanas.

Artigos Relacionados