Globo rebate Moraes e diz que supostas mensagens trocadas com Vorcaro foram extraídas e periciadas pela PF
Jornal afirma que material analisado resulta de extração técnica da PF, enquanto Moraes nega troca de mensagens com o dono do Banco Master
247 - O jornal O Globo publicou nesta sexta-feira (6) uma matéria intitulada “Mensagens trocadas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes foram extraídas e periciadas pela PF”. O intuito da reportagem foi rebater o magistrado, que negou o teor da suposta troca de mensagem com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso e é investigado na Operação Compliance Zero, sobre um esquema de fraudes financeiras.
"Diferentemente do material enviado à CPMI do INSS, o material a que O Globo teve acesso não é fruto de comparação entre os horários dos textos que constam em blocos de nota de Vorcaro e as mensagens enviadas por ele, embora coincidam, e sim resultado da extração realizada por um software específico que exibe conjuntamente as mensagens e os arquivos enviados, revertendo, na prática, a visualização única da mensagem", destacou o periódico no texto. A suposta troca de mensagens teria acontecido no dia 17 de novembro de 2025.
Moraes nega
O ministro do STF negou, por meio de nota, o teor das mensagens. “Análise técnica realizada nos dados telemáticos de Daniel Vorcaro, tornados públicos pela CPMI do INSS, constatou que as mensagens de visualização única enviadas por ele no dia 17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos”, destaca a nota.
De acordo com o texto da nota, “no conteúdo extraído do celular do executivo pelos investigadores, os prints dessas mensagens enviadas por Vorcaro estão vinculadas a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes”.
“A mensagem e o respectivo contato estão na mesma pasta do computador de quem fez os prints (Vorcaro). Ou seja, fica demonstrado que as mensagens (prints) estão vinculadas a outros contatos telefônicos no computador de Daniel Vorcaro, jamais ao Ministro Alexandre de Moraes", continuou.
"Os nomes e contatos das pessoas vinculadas aos respectivos arquivos não serão mencionados na presente nota em virtude do sigilo decretado pelo Ministro André Mendonça, mas constam no arquivo que a CPMI do INSS disponibilizou para toda a imprensa”.
Prisão e investigações
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília (DF) enquanto é alvo de uma investigação conduzida pela Polícia Federal (PF). As apurações tratam de suspeitas de fraudes financeiras envolvendo a instituição bancária.
As informações relacionadas ao suposto esquema foram divulgadas a partir de dados reunidos pela própria Polícia Federal durante o andamento das investigações. O material analisado pelos investigadores também aponta possíveis irregularidades associadas às operações do Banco Master.
Segundo os responsáveis pela apuração, as práticas investigadas podem ter provocado prejuízo estimado em até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade responsável por ressarcir investidores em casos de insolvência de instituições financeiras.
As investigações indicam ainda que Daniel Vorcaro já havia sido alvo de um mandado de prisão no ano anterior. Na ocasião, o empresário conseguiu liberdade provisória mediante a obrigação de utilizar tornozeleira eletrônica.
A nova ordem de prisão foi baseada em mensagens encontradas no telefone celular do banqueiro, aparelho que havia sido apreendido durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. Conforme apontam os investigadores, o conteúdo das conversas analisadas indicaria ameaças dirigidas a jornalistas e também a pessoas que teriam contrariado interesses do empresário.
Entre os episódios mencionados nas apurações, a Polícia Federal afirma que Vorcaro teria ameaçado o jornalista Lauro Jardim e também uma empregada doméstica. As investigações apontam ainda que o banqueiro teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária registrada em nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro.
De acordo com a PF, o empresário também teria acessado de forma indevida sistemas pertencentes a diferentes instituições. Entre as plataformas citadas pelos investigadores estão sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal (MPF), do FBI e da Interpol.
Defesa se pronuncia
Em comunicado divulgado por meio de sua assessoria, Daniel Vorcaro afirmou que as mensagens atribuídas a ele foram interpretadas de maneira equivocada e retiradas de contexto. O empresário sustenta que sempre manteve uma relação institucional com veículos de comunicação e profissionais da imprensa ao longo de sua trajetória profissional.
Na nota, o banqueiro declarou que “jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto”.
Ele acrescentou ainda: “Sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas”.
No mesmo posicionamento, Vorcaro também comentou o conteúdo das conversas citadas nas investigações. Segundo ele, eventuais manifestações mais incisivas teriam ocorrido em caráter privado e sem a intenção de intimidar qualquer pessoa.
O empresário afirmou: “Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência”.


