Influenciadora pró-MAGA criada por IA lucra milhares e expõe falhas nas redes sociais
Perfil artificial combinava erotização e discurso político para viralizar e monetizar antes de ser banido por fraude
247 – Uma influenciadora digital alinhada ao movimento MAGA, que acumulou milhões de visualizações com conteúdo sensual e mensagens políticas polarizadoras, foi revelada como uma criação de inteligência artificial operada por um estudante de medicina na Índia. A informação foi divulgada pela revista Wired e repercutida pela RT, evidenciando mais um caso de manipulação digital com fins lucrativos nas redes sociais.
Segundo a reportagem, o jovem indiano utilizou ferramentas de IA para criar a personagem Emily Hart após testar diferentes formas de monetização online. A estratégia foi direcionada ao público conservador dos Estados Unidos, explorando temas ideológicos sensíveis e altamente engajadores.
Estratégia combinou apelo visual e discurso político
A influenciadora artificial aparecia em cenários típicos da cultura norte-americana, como pescarias no gelo e estandes de tiro. Em muitas postagens, surgia de biquíni, posando com armas ou símbolos patrióticos.
As imagens eram acompanhadas de mensagens contra imigração, aborto e pautas liberais, criando um conteúdo híbrido que misturava erotização e provocação política — fórmula conhecida por gerar alto engajamento nas plataformas digitais.
Algoritmos impulsionaram alcance e monetização
O perfil alcançou milhões de visualizações, beneficiado por algoritmos que favorecem conteúdos polarizadores. Esse alcance foi convertido em receita quando o criador passou a direcionar seguidores para plataformas de assinatura com conteúdo mais explícito.
Com isso, o estudante conseguiu gerar milhares de dólares por mês com dedicação limitada, evidenciando a facilidade com que sistemas automatizados podem ser explorados para fins comerciais.
Falhas na regulação permitem proliferação do modelo
Apesar de diretrizes que exigem a identificação de conteúdos gerados por inteligência artificial, a fiscalização das plataformas ainda é insuficiente. O perfil acabou sendo removido em fevereiro por atividade considerada fraudulenta.
Ainda assim, o modelo segue sendo replicado por outras contas, levantando preocupações sobre desinformação, manipulação política e exploração econômica por meio de identidades artificiais.
O caso reforça o desafio das redes sociais em lidar com o avanço da inteligência artificial e seus impactos na esfera pública, especialmente quando combinados com estratégias de engajamento baseadas em polarização política.


