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Paulo Pimenta denuncia "PowerPoint criminoso da Globo" contra o governo Lula no caso Master

Deputado afirma que a tentativa de manipulação da opinião pública não pode ficar impune

Paulo Pimenta (Foto: ViniLoures / Câmara dos Deputados)

247 – O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, acusou a Rede Globo de ter construído uma narrativa manipuladora sobre o caso Banco Master para atingir o governo do presidente Lula. Em vídeo publicado nas redes sociais, Pimenta classificou como “muito grave” a peça exibida pela Globo News e comparou a iniciativa ao célebre PowerPoint utilizado na Lava Jato contra Lula. 

Segundo Pimenta, a emissora recorreu a uma montagem visual que buscaria induzir a opinião pública a uma conclusão política previamente definida, sem apresentar os personagens que, de acordo com ele, teriam ligação real com o esquema. “É muito grave o que a Rede Globo fez, o novo PowerPoint. Sinceramente, eu achei que depois do PowerPoint do Dallagnol, a gente não teria tão cedo outra tentativa tão grotesca de manipulação da opinião pública através da criação de uma narrativa através de um PowerPoint”, afirmou.

Bolsomaster

Ao longo de sua fala, Pimenta sustentou que a narrativa apresentada pela Globo omite nomes centrais do que chamou de “Bolsomaster”, expressão utilizada por ele para associar o caso ao entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Não aparece o Bolsonaro, não aparece o Campos Neto, presidente do Banco Central, figura chave do esquema do Bolsonaster. Não aparece o Tarcísio, gente”, declarou.

O deputado também mencionou Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, apontado por ele como operador financeiro do esquema. Em seguida, associou o caso ao financiamento eleitoral da direita nas últimas eleições. “As duas campanhas do Brasil que receberam mais dinheiro nas últimas eleições foram as campanhas do Bolsonaro e do Tarcísio de Freitas. E eles não aparecem, não aparecem no PowerPoint da Rede Globo”, disse.

Na mesma linha, Pimenta afirmou que a peça divulgada pela emissora ignora a participação de governadores que, segundo ele, teriam direcionado recursos públicos para o Banco Master. “Não aparece o Ibaneis, governador que pegou bilhões de reais de dinheiro público do GDF e injetou no esquema criminoso do Vorcaro. Não aparece o governador do Rio de Janeiro”, afirmou.

Em outra passagem, ele elevou o tom ao cobrar explicações sobre o uso de recursos previdenciários no Rio de Janeiro. “Até agora o governador do Rio de Janeiro não conseguiu explicar por que pegou o dinheiro do fundo de previdência dos aposentados, das aposentadas, das pensionistas do Rio de Janeiro e botou esse dinheiro, Cláudio Castro, no esquema criminoso do Vorcaro”, declarou.

Nikolas Ferreira

Pimenta também afirmou que houve omissão sobre o uso político da estrutura ligada ao empresário Daniel Vorcaro. “Não dá destaque pro fato de que o avião do Vorcaro foi utilizado para que o Nikolas Ferreira percorresse o Brasil fazendo campanha pro Bolsonaro no segundo turno. Isso nunca foi declarado à Justiça Eleitoral”, disse.

Para o parlamentar, a tentativa de relacionar o atual governo ao caso não se sustenta. Ele argumentou que, na sua visão, foi justamente com a chegada do presidente Lula ao poder que o ciclo do Banco Master chegou ao fim. “Foi quando o presidente Lula assumiu o governo, quando Fernando Haddad era ministro da Fazenda e quando Galípolo assumiu o Banco Central, que a safra criminosa do Banco Master terminou, onde houve a liquidação do Banco Master”, afirmou.

Em um dos trechos mais duros de sua fala, Pimenta disse que a Globo e os responsáveis pelo caso estariam tentando empurrar ao governo uma responsabilidade que não lhe pertence. “Não adianta Rede Globo, não adianta o Vorcaro, não adianta essa gente mandar recados porque eles estão batendo na porta errada”, declarou. Em seguida, reforçou: “Nós queremos que a verdade apareça, porque na medida que a verdade aparecer vai ficar claro que esse filho não é nosso, que o Bolsomaster não é nosso filho, pelo contrário, ele é filho legítimo do Bolsonaro e do esquema criminoso que essa gente montou no Brasil”.

Flávio Bolsonaro e "Lulinha"

O deputado também criticou o que considera um tratamento enviesado da grande mídia em relação a personagens do bolsonarismo e da família do presidente Lula. Ao comparar a forma como certos nomes são apresentados, sugeriu a existência de um padrão de proteção seletiva e de estigmatização política. “Desde o momento que o Flávio Bolsonaro virou candidato, não chamam mais de Flávio Bolsonaro. Agora ele é o Flávio. A Rede Globo e grande parte da mídia trata ele como Flávio. E o filho do presidente Lula, o Fábio, é como se ele não tivesse nome. Ele sempre, de forma absurda, de forma pejorativa, sem que exista nada de concreto contra ele, é tratado como o Lulinha”, disse.

Na sequência, Pimenta afirmou que esse tipo de linguagem não é casual, mas parte de um método de construção de percepções políticas. “O Flávio Bolsonaro virou Flávio e o Fábio, filho do presidente Lula, virou Lulinha. Será que eles pensam que a gente não enxerga isso, gente? Será que eles pensam que o povo é bobo?”, questionou.

A lembrança de Brizola

Ao citar Leonel Brizola, referência histórica na crítica ao poder da mídia no Brasil, o deputado procurou enquadrar sua denúncia numa tradição de enfrentamento ao monopólio narrativo das grandes corporações de comunicação. “Já dizia Leonel Brizola, né, gente? Se a Globo tá de um lado, eu tenho todos os motivos para acreditar que eu tenho que estar do outro lado”, afirmou.

Pimenta ainda insinuou a existência de conflito de interesses ao mencionar relações comerciais entre o Banco Master, Daniel Vorcaro e a própria emissora. “Eu fiquei absolutamente estarrecido com a gravidade da manipulação desse PowerPoint criminoso que a Rede Globo colocou no ar, tentando talvez inclusive esconder dos telespectadores que o Vorcaro e o Banco Master inclusive foram patrocinadores de eventos da Rede Globo, dos negócios da Rede Globo, negócios que a Rede Globo socia”, declarou.

Ao final, o deputado rejeitou tanto a associação do governo Lula ao caso Master quanto tentativas de vinculá-lo a outros escândalos. “Não vamos cair nessa ladainha, não vamos cair nessa narrativa fake news, porque nós não temos nada a ver com Bolsomaster, como não temos nada a ver com o escândalo do INSS. E tudo isso vai ficar provado porque a verdade vai prevalecer”, afirmou.

A fala de Paulo Pimenta recoloca no centro do debate o papel da mídia tradicional na disputa política brasileira e reacende críticas sobre a construção seletiva de narrativas em momentos de alta tensão institucional. Ao denunciar o que chamou de “PowerPoint criminoso”, o deputado busca deslocar o foco da cobertura para os vínculos que, segundo ele, teriam sido deliberadamente apagados da exposição pública.

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