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Será que Michelle ainda quer a vaga de Flávio Bolsonaro?

A questão foi colocada pela colunista Eliane Cantanhêde, do Estado de S. Paulo

Será que Michelle ainda quer a vaga de Flávio Bolsonaro? (Foto: Reprodução | Agência Senado )
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247 – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou ao centro da crise política da família Bolsonaro depois de publicar um vídeo em que afirma ter sido alvo de ataques de Flávio Bolsonaro e de seus irmãos. A questão sobre o real alcance do gesto — se foi apenas uma reação emocional ou se sinaliza uma movimentação mais ampla para ocupar espaço na disputa presidencial — foi levantada pela colunista Eliane Cantanhêde, do Estado de S. Paulo.

Segundo a análise, a reação de Michelle provocou dúvidas tanto entre bolsonaristas quanto entre petistas: ela estaria apenas respondendo ao enteado ou estaria se insinuando como alternativa eleitoral à candidatura de Flávio Bolsonaro? A crise ocorre em um momento de desgaste da pré-campanha do senador, atingida por episódios como o caso “Dark Horse” e pelas novas ameaças de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos.

Crise familiar ganha dimensão política

O episódio ampliou a percepção de que a crise na família Bolsonaro não é apenas doméstica, mas também política e eleitoral. De acordo com a análise de Cantanhêde, integrantes do governo Lula observam com satisfação a capacidade dos bolsonaristas de “darem tiros nos próprios pés”, enquanto aliados da direita tentam entender qual é, afinal, a posição de Jair Bolsonaro diante do embate entre Michelle e seus filhos.

A dúvida central é se o ex-presidente apoiou, autorizou ou simplesmente deixou correr o ataque público de Michelle contra Flávio. Também permanece em aberto a gravidade da crise familiar neste momento decisivo para a definição do campo bolsonarista em 2026.

Michelle diz ter sido “apunhalada”, “maltratada” e “humilhada”

No vídeo citado pela colunista, Michelle Bolsonaro afirmou ter sido “apunhalada”, “maltratada”, “humilhada” e “desrespeitada” por Flávio Bolsonaro. Ela também acusou os filhos do ex-presidente de agirem de maneira articulada contra ela.

Segundo Michelle, os irmãos de Flávio “vieram juntos, de forma coordenada, com textos bem parecidos, o que pareceu combinado, premeditado”. A ex-primeira-dama ainda lamentou que “eles” a tratem como “idiota”, “que não entende nada de política”.

As declarações expõem uma disputa de poder dentro do bolsonarismo e reforçam a pergunta que passou a circular nos bastidores: Michelle estaria apenas reagindo a ataques ou estaria se apresentando como uma alternativa mais competitiva do que Flávio Bolsonaro para liderar a direita?

O peso do voto feminino e dos evangélicos

A eventual força eleitoral de Michelle Bolsonaro passa por dois segmentos decisivos: mulheres e evangélicos. A colunista lembra que Lula venceu a eleição presidencial de 2022 por margem apertada, com 50,9% dos votos válidos, e que o voto feminino teve peso importante naquele resultado.

As mulheres representam cerca de 53% do eleitorado brasileiro. Em 2022, Lula teve vantagem entre elas, com 54% dos votos, contra 46% de Jair Bolsonaro. Nesse contexto, a imagem de Michelle poderia ser vista por setores da direita como uma tentativa de reduzir a rejeição do bolsonarismo entre o eleitorado feminino.

Além disso, Michelle comanda o PL Mulher e tem forte presença entre evangélicos, segmento em que Jair Bolsonaro teve desempenho expressivo na eleição passada. Embora o Tribunal Superior Eleitoral não detalhe votos por religião, levantamentos independentes apontaram que Bolsonaro chegou a cerca de dois terços dos votos entre evangélicos em 2022.

Flávio pode precisar mais de Michelle do que ela dele

Na avaliação apresentada pela colunista, Flávio Bolsonaro corre o risco de, sem Michelle, não conseguir ampliar sua votação entre mulheres e ainda perder terreno entre evangélicos. Ou seja, poderia deixar de conquistar novos apoios e, ao mesmo tempo, enfraquecer uma base que já era favorável ao bolsonarismo.

Por isso, a crise aberta com a ex-primeira-dama é especialmente delicada para o senador. A reação de Michelle não apenas expôs tensões internas, como também colocou em dúvida a capacidade de Flávio de unificar o campo bolsonarista em torno de seu nome.

Após a repercussão, Flávio tentou se desculpar, mas, segundo a análise de Cantanhêde, o gesto não foi convincente. A colunista também cita o fato de ele já ter sido contestado publicamente em relação ao empresário Daniel Vorcaro, o que aumentaria o desgaste de sua imagem.

A contradição do discurso de “Deus, Pátria e Família”

O caso também reacendeu críticas às contradições do bolsonarismo em relação ao papel das mulheres. Para Cantanhêde, o tratamento dado a Michelle se conecta ao histórico de posições do ex-presidente e de seus filhos nas questões de gênero, apesar do slogan “Deus, Pátria e Família”.

A colunista cita ainda declarações de Heloísa Bolsonaro, mulher de Eduardo Bolsonaro, que é psicóloga. Em um encontro de mulheres, Heloísa afirmou que “não há mulher insubmissa e livre” e defendeu “homem masculino, com testosterona”.

Também é lembrada a justificativa dada por Jair Bolsonaro à Polícia Federal ao explicar por que mantinha a posse de uma pistola, apesar de condenado e preso. Segundo o texto, Bolsonaro afirmou: “Eu tinha três mulheres em casa, não podia ficar desarmado.”

Quem será o nome de Bolsonaro para 2026?

A crise deixa no ar duas perguntas centrais. A primeira é se a família Bolsonaro admite, de fato, o protagonismo político de Michelle. A segunda é se ela tem biografia, história e consistência para disputar a Presidência da República.

Mais do que isso, o embate interno reacende a disputa sobre quem Jair Bolsonaro considera o melhor nome para representar seu campo político em 2026. Ao mesmo tempo, também provoca outra pergunta relevante para o cenário eleitoral: qual adversário o presidente Lula mais temeria enfrentar em uma nova disputa presidencial?

Por ora, o vídeo de Michelle Bolsonaro produziu um efeito imediato: expôs o racha familiar, fragilizou Flávio Bolsonaro e colocou novamente a ex-primeira-dama no centro das especulações sobre o futuro da direita brasileira.

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