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The Economist critica guerra 'sem sentido' de Trump no Irã

Revista britânica alerta que morte do líder iraniano Ali Khamenei não garante vitória política a Trump e pode ampliar a instabilidade no Oriente Médio

Donald Trump e capa da revista The Economist (Foto: Reuters/Craig Hudson | Reprodução/X/@TheEconomist)

247 - Uma análise publicada pela revista britânica The Economist faz duras críticas à guerra iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã, classificando o conflito como potencialmente 'sem sentido' caso não haja objetivos políticos claros. O texto discute o impacto da morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, aos 86 anos, em uma operação militar dos Estados Unidos e de Israel.

A avaliação foi divulgada em editorial da revista The Economist, que argumenta que, apesar do impacto militar da operação, a ofensiva pode não produzir os resultados políticos esperados e corre o risco de aprofundar a instabilidade regional.

Operação militar e morte do líder iraniano

O editorial afirma que é incomum que um chefe de governo determine a morte de outro líder político. Ainda assim, segundo a análise, foi isso que ocorreu em 28 de fevereiro, quando uma ação conduzida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em coordenação com o primeiro-ministro de Israel, resultou na morte de Ali Khamenei.

A operação, chamada de “Fúria Épica”, é descrita pela revista como um êxito operacional significativo. No entanto, o texto sustenta que a eliminação do líder iraniano não garante, por si só, o alcance de objetivos estratégicos mais amplos.

Sucessão rápida no poder em Teerã

De acordo com a análise, o vácuo de poder deixado pela morte de Khamenei foi rapidamente preenchido. Um "triunvirato" assumiu temporariamente a liderança do país, enquanto o processo de escolha de um novo líder supremo pode ocorrer em breve.

A revista observa que o sucessor pode inclusive ser um dos filhos de Khamenei, caso ele não se torne também alvo de ataques. Para os analistas, esse cenário indica que a operação militar pode não ter conseguido provocar mudanças políticas profundas no sistema de poder iraniano.

Revista questiona objetivos políticos da guerra

No editorial, The Economist critica argumentos apresentados por defensores da ofensiva militar, segundo os quais a eliminação de um líder considerado negativo seria suficiente para justificar o conflito.

Segundo a revista, quando um país dispõe de uma força militar tão poderosa quanto a dos Estados Unidos — ainda mais atuando ao lado das forças armadas de Israel — existe uma responsabilidade especial de definir claramente o que se pretende alcançar.

A análise sustenta que os objetivos de guerra são essenciais para orientar as operações militares, determinar os sacrifícios exigidos tanto da própria população quanto do adversário e estabelecer o momento em que os combates devem terminar. Sem essa definição estratégica, conclui o texto, o conflito pode se prolongar sem produzir resultados políticos concretos, ao mesmo tempo em que amplia os riscos e as tensões no cenário internacional.

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