Agressões israelenses ao Líbano deixam quase 700 mil deslocados e 84 crianças assassinadas
Agências da ONU alertam para agravamento da crise humanitária após bombardeios e ordens de evacuação no país
247 - A crise humanitária no Líbano se agravou rapidamente em meio ao conflito que se expande pelo Oriente Médio. Dados divulgados por duas agências das Nações Unidas nesta terça-feira (10) indicam que mais de 667 mil pessoas foram deslocadas e que 84 crianças foram assassinadas em consequência das agressões israelenses. As informações foram publicadas pela agência Reuters.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ao menos 486 pessoas morreram e 1.313 ficaram feridas desde o início do conflito, entre elas 259 crianças. O número elevado de vítimas infantis foi destacado por autoridades da agência. "Este é apenas um conflito de sete dias e já estamos vendo que quase 100 crianças perderam suas vidas", afirmou Abdinasir Abubakar, representante da OMS no Líbano.
Ele também afirmou que a alta incidência de vítimas entre crianças está relacionada ao fato de muitos ataques ocorrerem em áreas densamente povoadas. "Uma das razões para o alto número de crianças é que a maioria dos ataques que vemos ocorre em centros urbanos, como em Beirute", disse. Abubakar acrescentou que os bombardeios israelenses, que Tel Aviv afirma ter como alvo a infraestrutura do Hezbollah, colocam civis em risco.
Escalada do deslocamento interno
De acordo com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), o atual ritmo de deslocamento interno já supera o observado durante a guerra entre Hezbollah e Israel entre 2023 e 2024. Naquele período, cerca de 886 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas dentro do próprio país, enquanto dezenas de milhares de israelenses foram retirados de cidades próximas à fronteira.
O crescimento recente do número de deslocados está relacionado às ordens de evacuação emitidas pelo Exército israelense para áreas do sul do Líbano e para os subúrbios densamente povoados ao sul de Beirute. Segundo o alto comissariado de direitos humanos da ONU, essas determinações levantaram preocupações jurídicas à luz do direito internacional.
Sistema de saúde sob pressão
A OMS informou que hospitais e equipes médicas estão enfrentando uma situação de forte pressão diante do aumento do número de vítimas. Atualmente, cinco hospitais estão fora de funcionamento, quatro sofreram danos parciais e 43 centros de atenção primária à saúde foram fechados, principalmente nas regiões do sul do país.
Karolina Lindholm Billing, representante do ACNUR no Líbano, afirmou que muitos dos deslocados já haviam fugido de conflitos anteriores. "Muitas das pessoas que estão fugindo também fugiram em 2024. Encontramos muitas que tiveram suas casas completamente destruídas, familiares mortos e assim por diante. Isso significa que as pessoas não estão esperando para ver o que acontecerá a seguir. Elas partem imediatamente", declarou.
Segundo dados do governo citados pelo ACNUR, cerca de 120 mil pessoas estão abrigadas em locais oficiais designados pelas autoridades. Outras permanecem procurando abrigo. "Muitas outras estão com parentes ou amigos ou ainda buscando acomodação, e vemos carros alinhados nas ruas com pessoas dormindo dentro deles e também nas calçadas", disse Billing.


