AIEA afirma que urânio altamente enriquecido do Irã ainda deve estar em Isfahan, alvo de bombardeios
Diretor-geral Rafael Grossi diz que agência não teve acesso ao local desde guerra de 12 dias em junho de 2025
247 - A maior parte do urânio altamente enriquecido do Irã provavelmente continua armazenada no complexo nuclear de Isfahan, mesmo após a região ter sido atingida por ataques aéreos no ano passado, afirmou o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, em entrevista à Associated Press.
Segundo Grossi, a agência da ONU possui imagens de satélite que mostram os efeitos dos mais recentes bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos. “Continuamos recebendo informações”, disse o chefe da AIEA, sem entrar em detalhes sobre possíveis danos às instalações nucleares.
As inspeções da AIEA em Isfahan foram interrompidas quando Israel lançou uma guerra de 12 dias contra o Irã em junho de 2025. Durante o conflito, os EUA bombardearam três sítios nucleares iranianos. Desde então, os verificadores da ONU não conseguiram retornar ao local.
“Acreditamos que uma grande porcentagem do urânio altamente enriquecido do Irã estava armazenada lá em junho de 2025, quando a guerra de 12 dias começou, e permanece lá desde então”, afirmou Grossi. “Não conseguimos inspecionar nem confirmar que o material continua no local, nem verificar se os lacres da AIEA ainda estão intactos. O que digo é nossa melhor estimativa, com base nas informações disponíveis.”
A declaração ocorre em meio à crescente tensão sobre o programa nuclear iraniano. O urânio altamente enriquecido — com níveis próximos ou acima de 60% — é considerado a poucos passos técnicos do material usado em ogivas nucleares. O Irã sempre negou buscar armas atômicas, afirmando que seu programa tem fins civis.
Grossi expressou esperança de que a AIEA possa em breve retomar as inspeções em Isfahan. “Espero que sejamos capazes de fazer isso”, disse, sem dar um cronograma. A falta de acesso, segundo analistas, aumenta a opacidade sobre o real estágio do enriquecimento iraniano e eleva o risco de nova escalada militar na região.
Até o momento, as autoridades iranianas não comentaram oficialmente as declarações de Grossi. Os EUA e Israel também não se manifestaram sobre as imagens de satélite citadas pela AIEA.


