Americanos simpatizam mais com palestinos do que com israelenses, aponta pesquisa
Levantamento indica que 41% dos EUA simpatizam mais com palestinos do que com israelenses pela primeira vez em mais de duas décadas
247 - Pela primeira vez desde o início da série histórica da Gallup, mais americanos afirmam simpatizar com os palestinos do que com os israelenses no conflito do Oriente Médio. O dado marca uma inflexão relevante na opinião pública dos Estados Unidos em meio à guerra na Faixa de Gaza e às tensões políticas internas no país.
Segundo o instituto, 41% dos entrevistados declararam ter maior simpatia pelos palestinos, enquanto 36% disseram se identificar mais com os israelenses. Há um ano, o cenário era inverso: 46% demonstravam maior apoio a Israel, contra 33% que se inclinavam aos palestinos.
De acordo com o relatório, “de 2001 a 2025, os israelenses mantiveram consistentemente vantagens de dois dígitos nas simpatias dos americanos no Oriente Médio”. O resultado atual, portanto, representa uma mudança significativa após mais de duas décadas de predominância do apoio a Israel.
O levantamento ocorre em um contexto de agravamento humanitário em Gaza. Segundo o Ministério da Saúde do território, mais de 72 mil palestinos morreram desde o início da ofensiva israelense, desencadeada após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixou 1.200 mortos em Israel. Grande parte da Faixa de Gaza foi destruída, e os esforços de reconstrução enfrentam obstáculos em meio ao bloqueio imposto por Israel e a episódios intermitentes de confrontos, mesmo após um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em outubro.
A mudança na opinião pública acontece às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, que podem redefinir o controle do Congresso. Embora política externa raramente seja tema central nas disputas eleitorais americanas, analistas ouvidos pelo Financial Times apontam que a condução da guerra em Gaza tem gerado críticas e divisões internas.
Entre os eleitores democratas, 65% afirmam simpatizar mais com os palestinos, ante 17% que preferem os israelenses. Já entre os independentes — grupo considerado decisivo nas eleições — 41% se dizem mais próximos da causa palestina, contra 30% que apoiam Israel. No ano anterior, esse mesmo segmento favorecia Israel por 42% a 34%. Entre os republicanos, a simpatia por Israel caiu dez pontos percentuais em relação a 2024, atingindo o nível mais baixo desde 2004, segundo a Gallup.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e lideranças republicanas têm buscado apresentar o partido como o mais alinhado a Israel. Ainda assim, surgiram fissuras no movimento conservador, com figuras da ala mais à direita questionando o que classificam como apoio irrestrito de Washington ao governo israelense.
Em dezembro, Trump declarou: “Se você voltar 10, 12, 15 anos atrás, no máximo, o lobby mais forte em Washington era o lobby judeu. Era Israel. Isso já não é mais verdade”. Ele acrescentou: “É preciso ter muito cuidado. Você tem um Congresso, em particular, que está se tornando antissemita”.
O senador republicano Ted Cruz afirmou no fim do ano passado que havia “visto mais antissemitismo na direita do que em qualquer momento da minha vida” na segunda metade de 2025. “Se nos recusarmos a denunciá-lo, isso pode destruir o Partido Republicano assim como destruiu o Partido Democrata”, disse.
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