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ONU aponta intenção de Israel de consolidar anexação permanente da Cisjordânia

Alto comissário afirma que medidas ampliam controle sobre território palestino e podem alterar demografia local

Forças israelenses em Hebron, na Cisjordânia ocupada por Israel 23/10/2025 (Foto: REUTERS/Mussa Qawasma)

247 - O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou na quinta-feira (26) que Israel está consolidando a anexação da Cisjordânia e busca “alterar de forma permanente” a demografia do território palestino. Segundo ele, as medidas adotadas pelo governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu levantam preocupações relacionadas a possível limpeza étnica.

As declarações foram feitas durante discurso na 61ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça. No pronunciamento, Türk criticou duramente as recentes decisões do gabinete de segurança israelense, que ampliam o controle sobre áreas da Cisjordânia.

No dia 8, o governo de Israel facilitou a compra de terras por colonos judeus na região, estabeleceu novas condições para que militares fiscalizem áreas sob administração da Autoridade Palestina e passou a assumir a gestão direta de determinados locais religiosos. Para o ministro da Defesa, Israel Katz, as medidas visam assegurar “segurança jurídica” aos cidadãos israelenses que vivem na Cisjordânia.

Já o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, declarou que o objetivo do anúncio era inviabilizar a criação de um Estado palestino. Ele e outros integrantes da ala mais radical do governo defendem que a Cisjordânia — chamada por eles de Judeia e Samaria — integra a herança histórica de Israel e deve ser ocupada com o maior número possível de judeus e o menor número de árabes.

A comunidade internacional considera a Cisjordânia parte central de um futuro Estado palestino, com capital em Jerusalém Oriental. O território está sob ocupação militar israelense desde 1967, após a Guerra dos Seis Dias. Palestinos que vivem na região estão submetidos, em determinadas situações, à legislação militar israelense, enquanto colonos judeus seguem a lei civil. Organizações como a Anistia Internacional acusam Israel de manter um regime de apartheid na área.

Em seu discurso, Türk apresentou números sobre a escalada da violência. Segundo ele, Israel matou 1.020 palestinos na Cisjordânia desde 7 de outubro de 2023, data do ataque do Hamas que desencadeou o atual conflito, interrompido por um cessar-fogo em outubro de 2025. O Alto Comissariado também registrou 32 mil palestinos expulsos de suas casas na Cisjordânia ao longo de 2025 por militares israelenses ou colonos.

O representante da ONU afirmou ainda que Israel “demonstra desrespeito total pelos direitos humanos” ao continuar atacando prédios residenciais e campos de refugiados na Faixa de Gaza. De acordo com ele, ao menos 600 palestinos foram mortos desde o início do cessar-fogo.

Türk também denunciou “tortura e maus-tratos generalizados” contra palestinos em prisões israelenses, relatando que 89 pessoas morreram sob custódia desde 7 de outubro de 2023.

O alto comissário acrescentou que o Hamas e outros grupos palestinos também cometeram crimes de guerra e violações de direitos humanos. “Os reféns foram vítimas de violência sexual e de gênero, tortura e espancamentos”, afirmou.

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