HOME > Mundo

Embaixador dos EUA defende ser "aceitável" Israel invadir e tomar ampla área do Oriente Médio

Declaração de Mike Huckabee provoca reação de países árabes e do governo palestino

O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee (Foto: REUTERS/Ronen Zvulun)

247 - O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, afirmou que seria "aceitável" que Israel assumisse o controle de uma ampla faixa do Oriente Médio, incluindo territórios associados a interpretações bíblicas que se estenderiam do Nilo ao Eufrates. Segundo o jornal O Globo, as falas extremistas do diplomata provocaram reação imediata de países árabes, da Organização da Cooperação Islâmica, da Liga dos Estados Árabes e do Ministério das Relações Exteriores palestino.

As declarações, feitas em entrevista ao comentarista conservador Tucker Carlson, ocorrem no contexto do genocídio promovido por Israel na Faixa de Gaza, que já deixou mais de 75 mil mortos, segundo estudo publicado na revista científica The Lancet. Durante o programa, Carlson afirmou que, de acordo com o Antigo Testamento, os descendentes de Abraão teriam direito a terras que abrangeriam grande parte do Oriente Médio, incluindo áreas hoje pertencentes ao Egito, Síria e Iraque. Em seguida, perguntou ao embaixador se Israel teria direito a esses territórios.

Huckabee respondeu inicialmente: "Não tenho certeza se iríamos tão longe. Seria uma grande extensão de terra". Diante da insistência do entrevistador, acrescentou: "Seria aceitável se tomassem tudo. [Mas] não acho que seja disso que estamos falando aqui hoje". Questionado se consideraria aceitável que Israel assumisse o controle de toda a Jordânia, o diplomata estadunidense afirmou que o governo israelense não está tentando dominar países vizinhos, mas "quer proteger seu povo". Também declarou que Israel busca ao menos manter as áreas que já ocupa e onde sua população reside.

Países árabes e governo palestino repudiam as declarações

Egito e Jordânia divulgaram notas críticas às declarações. O Ministério das Relações Exteriores egípcio afirmou que os comentários representam "violação flagrante" do direito internacional e declarou que "Israel não tem soberania sobre o território palestino ocupado nem sobre outras terras árabes". A Liga dos Estados Árabes afirmou que "declarações desse tipo — extremistas e desprovidas de qualquer base sólida — servem apenas para inflamar sentimentos e despertar emoções religiosas e nacionais".

O Ministério das Relações Exteriores palestino declarou que as palavras do embaixador "contradizem fatos religiosos e históricos, o direito internacional e a posição expressa pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que rejeita a anexação da Cisjordânia".

Em novembro de 2024, após ser indicado por Trump ao cargo, Huckabee manifestou apoio à anexação da Cisjordânia ocupada. À Rádio do Exército de Israel, afirmou: "Não serei eu a formular a política, executarei a política do presidente. Mas (Trump) já demonstrou, em seu primeiro mandato, que nunca houve um presidente americano mais disposto a garantir o reconhecimento da soberania de Israel". Em setembro do ano passado, no entanto, Trump declarou que não permitiria a anexação da Cisjordânia, afirmando que "isso não vai acontecer".

Artigos Relacionados