Analista iraniano diz que guerra busca controlar petróleo do país
Professor da Universidade de Teerã afirma à Al Jazeera que muitos iranianos veem ofensiva como tentativa de fragmentar o Irã e dominar o Golfo Pérsico
247 - A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã tem alimentado debates políticos e estratégicos dentro do país persa. Para analistas iranianos, o conflito está ligado a interesses geopolíticos mais amplos, especialmente relacionados ao controle das reservas energéticas e ao equilíbrio de poder no Oriente Médio.
Em entrevista à Al Jazeera, o analista político Foad Izadi, professor da Faculdade de Estudos Mundiais da Universidade de Teerã, afirmou que muitos iranianos acreditam que a guerra está diretamente associada à disputa pelo petróleo iraniano e à tentativa de remodelar a influência regional.
Segundo Izadi, declarações recentes do senador norte-americano Lindsey Graham reforçaram uma percepção antiga dentro do Irã de que o país é alvo de uma guerra por causa de seus recursos energéticos.
“Fico feliz que o senador Lindsey Graham tenha dito que ele [Trump] quer nosso petróleo. É isso que os iranianos vêm dizendo e acreditando há muitos anos”, afirmou o analista.
Para ele, a estratégia dos Estados Unidos reproduz padrões históricos de dominação externa sobre a região do Golfo.
“Eles querem voltar ao século XIX… e querem governar o Golfo Pérsico como os britânicos fizeram no século XIX”, disse.
Temor de fragmentação territorial
Izadi também mencionou declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sugeriram a possibilidade de mudanças nas fronteiras do Irã após o conflito.
De acordo com o analista, essas falas reforçam a percepção de que há um plano para enfraquecer territorialmente o país.
“A ideia que muitos iranianos têm aqui é que ele quer tirar a parte sul do Irã, rica em petróleo, desintegrar o Irã, basicamente, balcanizar o Irã”, afirmou.
Segundo Izadi, esse cenário permitiria a criação de um novo Estado no sul do território iraniano, que poderia ser utilizado para controlar recursos petrolíferos, aumentar a pressão estratégica sobre a China e ampliar a influência de Israel na região.


