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Joe Rogan: apoiadores de Trump “se sentem traídos” pela “insana” guerra contra o Irã

Segundo o podcaster, a guerra no Oriente Médio contradiz promessa de campanha do atual presidente dos EUA de evitar novos conflitos militares

Joe Rogan e Donald Trump (Foto: Reprodução I Daniel Torok/Casa Branca)

247 - O podcaster Joe Rogan afirmou que parte da base política do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demonstra frustração com o envolvimento militar do país no conflito contra o Irã. A declaração foi feita em episódio recente de seu programa e ganhou repercussão em reportagem publicada pelo site The Hill.

Na avaliação do apresentador, a decisão de iniciar a ofensiva militar contrasta com as promessas de campanha feitas por Trump, que defendia o fim das intervenções armadas no exterior. Para Rogan, esse contraste tem provocado sensação de decepção entre apoiadores que esperavam uma postura diferente do governo.

Durante o podcast, o comentarista questionou as razões que levaram ao conflito e afirmou que a situação contradiz o discurso adotado pelo então candidato presidencial. “Well, it just seems so insane, based on what he ran on. I mean, this is why a lot of people feel betrayed, right?”, disse. Em seguida, acrescentou: “He ran on, ‘No more wars,’ ‘End these stupid, senseless wars,’ and then we have one that we can’t even really clearly define why we did it.”

As críticas ocorrem em um contexto de inquietação dentro do próprio Partido Republicano. Alguns parlamentares expressaram receio de que a ofensiva contra o Irã se transforme em um compromisso militar prolongado para os Estados Unidos, repetindo experiências anteriores no Oriente Médio.

Um dos políticos que manifestaram preocupação foi o deputado republicano Tim Burchett, do estado do Tennessee. Em entrevista concedida na semana passada, ele afirmou que eleitores associados ao movimento MAGA deveriam acompanhar de perto os desdobramentos da operação militar.

“I would say stay concerned,” declarou Burchett ao responder a um jornalista. Ele acrescentou: “I mean, be concerned. Be vigilant. Hold our feet to the fire. Keep us honest on that issue.”

Levantamentos de opinião também indicam receio entre os eleitores sobre a duração do conflito. Pesquisa realizada pelo instituto Quinnipiac mostra que quase três quartos dos votantes norte-americanos acreditam que a guerra contra o Irã poderá se estender por um período significativo. No estudo, 71% afirmaram considerar provável que o confronto dure “months”, “about a year” ou até “longer than that”.

Apesar desse cenário de incerteza, o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem minimizado a possibilidade de um conflito prolongado. Em entrevista coletiva realizada na segunda-feira, ele afirmou que as operações militares fazem parte de uma ação pontual.

“This was just an excursion into something that had to be done. We’re getting very close to finishing that too”, declarou Trump a jornalistas.

A declaração ocorreu poucos dias depois de o presidente afirmar que aceitaria apenas uma “unconditional surrender” por parte das autoridades iranianas.

Segundo o site The Hill, a Casa Branca foi procurada para comentar as críticas e as avaliações sobre a condução do conflito, mas não havia respondido até o momento da publicação da reportagem.

Estatísticas

Um levantamento conduzido pela Reuters/Ipsos e finalizado no domingo (01/03) aponta que o apoio da população dos Estados Unidos aos ataques realizados por forças americanas e israelenses — que resultaram na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, em uma ação direcionada — é minoritário. O estudo indica ainda que aproximadamente metade dos norte-americanos, incluindo cerca de um quarto dos eleitores republicanos, considera que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem demonstrado excesso de disposição para empregar força militar.

Os dados mostram que 27% dos entrevistados disseram concordar com a ofensiva, enquanto 43% afirmaram desaprová-la. Outros 29% declararam não ter opinião definida sobre o assunto. A pesquisa também revelou alto nível de conhecimento público sobre os acontecimentos: cerca de nove em cada dez participantes afirmaram ter ouvido falar ao menos parcialmente sobre os ataques iniciados na madrugada de sábado (28/02).

Entre os eleitores democratas, a oposição às ações militares aparece de forma ainda mais acentuada. De acordo com o levantamento, 74% dos integrantes desse grupo manifestaram desaprovação aos ataques, enquanto 7% disseram apoiá-los e 19% afirmaram estar indecisos.

O estudo também analisou como fatores econômicos podem influenciar a percepção pública sobre a ofensiva contra o Irã. Cerca de 45% dos entrevistados — incluindo 34% dos republicanos e 44% dos independentes — afirmaram que seriam menos propensos a apoiar a campanha militar caso os preços da gasolina ou do petróleo registrassem aumento nos Estados Unidos.

O levantamento também registrou uma pequena redução no índice de aprovação do presidente Donald Trump. A taxa ficou em 39%, o que representa queda de um ponto percentual em relação à pesquisa Reuters/Ipsos realizada entre 18 e 23 de fevereiro.

Tensão no Oriente Médio

As discussões sobre o papel dos Estados Unidos no conflito ocorrem em meio ao agravamento das hostilidades entre Washington e Teerã. Informações oficiais citadas por autoridades iranianas apontam que mais de 1,2 mil pessoas morreram no Irã desde o início dos ataques, ocorridos no dia 28.

Além das mortes registradas em território iraniano, o número total de vítimas fatais chegou a quase duas mil em diferentes países do Oriente Médio desde o início da intensificação do conflito.

O governo do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem defendido as ações militares sob o argumento de que o Irã estaria adotando iniciativas voltadas ao desenvolvimento de armamento nuclear.

Mas o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, declarou que inspeções conduzidas por especialistas vinculados à Organização das Nações Unidas não identificaram evidências de um programa coordenado no Irã voltado à produção de armas nucleares.

O cenário internacional permanece em evolução, enquanto autoridades norte-americanas continuam debatendo internamente os desdobramentos e os possíveis rumos da participação dos Estados Unidos no conflito.

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