Anistia Internacional alerta para riscos a torcedores na Copa de 2026 nos EUA
Relatório aponta crise de direitos humanos sob governo Trump e ausência de garantias de proteção
247 - A ONG Anistia Internacional alertou nesta segunda-feira (30) para riscos considerados graves a torcedores e populações durante a Copa do Mundo de 2026, especialmente nos Estados Unidos. Segundo a organização, o país vive um "cenário de crise de direitos humanos" durante o governo do presidente Donald Trump, que sediará a maior parte dos jogos do torneio. A declaração foi divulgada pela entidade em comunicado que acompanha o relatório "A Humanidade deve triunfar".
Segundo a AFP, a Anistia Internacional aponta que esse cenário é marcado por políticas migratórias consideradas discriminatórias, além de detenções em massa e prisões arbitrárias realizadas por agentes de órgãos de controle de imigração. De acordo com o relatório, há atuação de agentes do Serviço de Controle de Imigração e Alfândega, do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras e de outras agências, em operações que incluem abordagens com uso de força.
"Apesar do número impressionante de detenções e deportações, nem a Fifa nem as autoridades (americanas) deram garantias aos torcedores e às populações locais de que serão protegidos", disse Steve Cockburn, diretor do programa Justiça Econômica e Social da Anistia Internacional.
Impactos para torcedores estrangeiros
A organização também apontou que torcedores de alguns países podem enfrentar restrições para entrada nos Estados Unidos, em razão de políticas de viagem adotadas pelo governo. Entre os países citados estão Irã, Senegal e Costa do Marfim, cujos cidadãos podem ter dificuldades para acompanhar o torneio.
Além disso, a Anistia mencionou a possibilidade de vigilância de redes sociais de visitantes, com monitoramento de conteúdos considerados contrários aos interesses do país. O relatório também menciona riscos para grupos LGBTQI+ e aponta receios manifestados por pessoas na Europa e no Reino Unido sobre a exposição durante o evento.
A organização ainda indicou preocupações com possíveis restrições ao direito de manifestação e à liberdade de expressão no México e no Canadá, países que também sediarão partidas. "A apenas dez semanas do início da Copa do Mundo, o compromisso da Fifa de organizar um torneio no qual todo mundo se sinta 'seguro, incluído e livre para exercer seus direitos' requer uma ação urgente", afirmou a entidade.
A Copa do Mundo de 2026 será realizada entre 11 de junho e 19 de julho, com 104 partidas previstas. Desse total, 78 ocorrerão em território dos Estados Unidos.


