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Arquivo do caso Epstein descreve acusação de criança torturada por Ghislaine Maxwell na presença do ex-príncipe Andrew

Acusação consta de documento do FBI divulgado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos

Andrew Mountbatten Windsor (Foto: REUTERS/Phil Noble)

247 - Arquivos relacionados ao caso do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein detalham uma acusação de tortura envolvendo sua ex-companheira e cúmplice, Ghislaine Maxwell, e o ex-príncipe britânico Andrew Mountbatten Windsor. A página em questão consta do site do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, intitulada (EFTA00020457.pdf - DataSet 8).  

O documento oficial, do Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI, na sigla em inglês), descreve o relato, feito em 2020, de uma criança, que entre 1994 e 1996, com 6 a 8 anos de idade, no Reino Unido, disse às autoridades, naquele ano específico, ter sido drogada e levada a uma "festa" de pedófilos pelo próprio pai, cujo nome é censurado no arquivo divulgado. A pessoa descreve ter sido atropelada por um carro dirigido por Andrew ao chegar a uma casa. De acordo com o relato, a criança não foi levada ao hospital, apesar das lesões descritas. 

"Depois de ser atropelado/a pelo carro, acordei com o Príncipe Andrew ao meu lado", diz o documento, com passagens anteriores e posteriores censuradas. A pessoa descreve então ter sido levada a uma outra casa na região de Windsor, nas proximidades de Londres. "Lá, fui imobilizado/a sobre uma mesa e torturada com choques elétricos por Ghislaine Maxwell, cercado/a por homens que assistiam. Lembro-me de ter visto o rosto do príncipe Andrew", diz o relato. 

"Tentei escapar às escondidas. Maxwell me pegou e me bateu com a parte de cerdas de uma vassoura. Ela também me ameaçou, dizendo que eu 'merecia morrer', e me acertou no rosto com a vassoura, quebrando meu nariz", diz o relato. 

Do documento do FBI consta, contudo: "Ameaça à vida: Falso". A acusação foi recebida pelas autoridades dos EUA em 13 de julho de 2020.

Na quinta-feira (19), o ex-príncipe britânico foi detido devido a ligações com o caso Epstein. As autoridades investigam o envio de documentos governamentais a Epstein, e o ex-príncipe é acusado oficialmente de má conduta no exercício de cargo público. Pouco depois, Andrew foi libertado da custódia. Ele permanece em oitavo lugar na linha de sucessão ao trono britânico, apesar de sua prisão e da retirada de seus títulos, segundo a agência Sputnik. No início de dezembro de 2025, o rei Charles III do Reino Unido retirou de Andrew, seu irmão, todos os títulos da realeza. 

Um dos lotes mais recentes de documentos do caso Epstein contém fotografias que mostram Andrew inclinado sobre uma jovem desconhecida deitada no chão. Reportagens identificaram o local como a mansão de Epstein em Nova York.

Maxwell, por sua vez, cumpre atualmente uma pena de 20 anos de prisão por seu papel na conspiração com Epstein para explorar sexualmente meninas menores de idade. Ela tenta convencer o Departamento de Justiça dos EUA a aceitar um acordo e garantir sua libertação.

No dia 30 de janeiro de 2026, o vice-procurador-geral dos Estados Unidos Todd Blanche anunciou que todos os materiais relacionados ao caso Epstein haviam sido divulgados. Com a divulgação mais recente, o volume total de dados liberados ultrapassa 3,5 milhões de arquivos. 

Em 2019, Epstein foi acusado nos EUA de tráfico sexual de menores; em julho daquele ano, ele morreu na prisão, e a investigação concluiu que sua morte foi suicídio.

arquivo-epstein

(Com informações da Sputnik). 

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