Departamento de Justiça reabre investigação sobre rancho de Jeffrey Epstein no estado do Novo México
Procurador-geral reabriu investigação sobre alegações envolvendo a propriedade do criminoso sexual estadunidense
Reuters – O procurador-geral do Novo México determinou nesta quinta-feira (19) a reabertura da investigação criminal do estado sobre supostos crimes ocorridos em um rancho que pertencia ao falecido agressor sexual Jeffrey Epstein. A decisão foi tomada com base em novas informações tornadas públicas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Em 30 de janeiro, foram divulgados milhões de arquivos relacionados a Epstein. A nova publicação lança luz adicional sobre as atividades criminosas do financista no Novo México ao longo de três décadas.
O procurador-geral do Novo México, Raul Torrez, ordenou a retomada da investigação sobre o rancho de Epstein, localizado ao sul da capital estadual, Santa Fé. A apuração havia sido encerrada em 2019 por seu antecessor, o também democrata Hector Balderas, para evitar sobreposição com investigações federais. A pressão para esclarecer os crimes de Epstein tornou-se um problema político para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, republicano.
"As revelações descritas nos arquivos do FBI anteriormente mantidos sob sigilo justificam uma nova análise", afirmou a porta-voz do Departamento de Justiça do Novo México, Lauren Rodriguez, em comunicado.
A retomada da investigação ocorre dois dias após o Legislativo do Novo México, controlado por democratas, anunciar o que parlamentares classificaram como a primeira apuração abrangente sobre os supostos crimes de Epstein no Zorro Ranch, localizado a cerca de 48 quilômetros ao sul de Santa Fé.
Os legisladores criaram um comitê que ouvirá depoimentos na sede do Legislativo estadual. A investigação anunciada nesta quinta-feira é separada e de natureza criminal, conduzida pelo principal promotor do estado.
Como parte da investigação criminal, agentes especiais e promotores buscarão acesso imediato ao arquivo completo e sem cortes do caso Epstein mantido pelo Departamento de Justiça dos EUA, além de colaborar com o comitê legislativo, informou Rodriguez.
A investigação incluirá a "coleta e preservação de quaisquer evidências relevantes ainda disponíveis", acrescentou.
O Departamento de Justiça dos EUA e o FBI não responderam imediatamente a pedidos de comentário.
Epstein morreu em 2019, em um caso classificado como suicídio, em uma prisão de Nova York, enquanto enfrentava acusações federais de tráfico sexual.
O Zorro Ranch foi vendido pelo espólio de Epstein em 2023 ao empresário e político do Texas Don Huffines. Um porta-voz de Huffines afirmou, em comunicado, que os proprietários nunca foram procurados por autoridades solicitando acesso à propriedade, mas que concederão "cooperação plena e completa" caso sejam acionados.
Em publicação nas redes sociais na segunda-feira, Huffines declarou que pretende transformar o rancho em um retiro cristão.
O Departamento de Justiça do Novo México informou na quarta-feira (18) que também investiga uma alegação, revelada nos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA, de que Epstein teria ordenado o enterro dos corpos de duas meninas estrangeiras em colinas próximas ao Zorro Ranch.


