Assassinato de enfermeiro em ação do ICE opõe grupos pró-armas e governo Trump
Associações conservadoras criticam declarações oficiais após assassinato de Alex Pretti em Minneapolis
247 - O assassinato do enfermeiro Alex Pretti, baleado por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), em Minneapolis, provocou uma reação incomum no debate político estadunidense ao colocar associações pró-armas em oposição direta ao governo do presidente Donald Trump. O episódio ocorreu no fim de semana e intensificou os protestos contra as agressões e violações de direitos humanos pela política de imigração de Trump. As informações são do G1.
Organizações pró-armas criticam governo Trump
A morte de Pretti ocorreu durante uma manifestação registrada em vídeo, o que ampliou a repercussão do caso. Tradicionalmente alinhadas ao Partido Republicano e à direita dos EUA, organizações defensoras do porte de armas passaram a criticar declarações de integrantes do governo Trump que atribuíram responsabilidade à vítima por estar armada no momento da ação.
Pelo menos duas associações pró-armas condenaram publicamente falas de autoridades federais. O posicionamento chama atenção porque essas entidades historicamente se opõem a qualquer restrição ao porte e à venda de armas de fogo nos Estados Unidos e costumam apoiar governos republicanos.
NRA se manifesta de forma indireta sobre o caso
A principal organização do setor, a National Rifle Association, a NRA, manifestou-se de forma indireta. Ao responder a uma mensagem do procurador-geral da Califórnia, Bill Essayli, a entidade afirmou que "os representantes públicos deveriam aguardar uma investigação completa, em vez de fazer generalizações e demonizar os cidadãos cumpridores da lei". A declaração foi divulgada após autoridades federais questionarem o fato de Pretti estar armado.
O Departamento de Segurança Interna informou que o enfermeiro portava uma arma durante o protesto no qual foi assassinado. No entanto, vídeos que registraram o momento dos disparos não mostram Pretti sacando o objeto antes de ser alvejado pelos agentes federais.
Governo defende atuação do ICE e culpa vítima
Integrantes do governo Trump saíram em defesa da atuação do ICE. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou após a morte que "a manifestação é violenta quando há alguém que aparece lá com armas". Já o diretor do FBI, Kash Patel, sugeriu que Pretti não deveria estar portando uma arma durante o ato.
A reação gerou críticas de outras entidades pró-armas. Em declaração ao jornal Wall Street Journal, o porta-voz da Associação Nacional pelos Direitos às Armas, Taylor Rhodes, afirmou que "a primeira coisa que os políticos querem fazer é culpar a arma". Rhodes disse ao jornal que já participou armado de centenas de manifestações.
Comparações com o caso Kyle Rittenhouse
Nas redes sociais, usuários passaram a comparar o tratamento dado pelo Partido Republicano ao caso de Alex Pretti com o de Kyle Rittenhouse, ocorrido em 2020. Naquele episódio, Rittenhouse tinha 17 anos quando compareceu armado a uma manifestação antirracista na cidade de Kenosha, no estado de Wisconsin.
Durante os protestos, Rittenhouse matou duas pessoas a tiros e feriu uma terceira. À época, ele alegou que prestava apoio a policiais locais contra os manifestantes. Em suas redes sociais, aparecia em fotografias portando armas e participou de um comício da campanha de Donald Trump naquele ano.
Em novembro de 2021, Rittenhouse foi absolvido por um tribunal, que considerou que ele agiu em legítima defesa. Na ocasião, lideranças republicanas defenderam majoritariamente o jovem, afirmando que ele estaria amparado pela Constituição dos Estados Unidos ao portar uma arma.


