Celebridades de Hollywood denunciam ações do governo Trump e do ICE
Artistas criticam violência contra imigrantes e repressão a protestos durante eventos públicos nos Estados Unidos
247 - A atuação da agência federal de imigração dos Estados Unidos (ICE) e a política migratória adotada pelo governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, provocaram uma onda de manifestações críticas por parte de celebridades de Hollywood. Durante o Festival de Cinema de Sundance, atores, diretores e músicos usaram o espaço para condenar a violência contra imigrantes e manifestantes, em meio a protestos que ganharam força após mortes atribuídas a ações da agência em Minnesota. A mobilização ganhou repercussão internacional e envolveu nomes de peso da indústria cultural.
Artistas desfilaram pelo evento usando broches com a inscrição “ICE out” (“Fora ICE”) e concederam entrevistas nas quais expressaram indignação com o cenário político atual. As críticas se intensificaram após a morte de dois cidadãos americanos em operações relacionadas à agência anti-imigração, episódios que desencadearam grandes manifestações em Minneapolis, capital de Minnesota.
Um dos discursos mais contundentes partiu do ator Edward Norton, integrante do elenco do filme The invite, dirigido por Olivia Wilde e exibido em Sundance. Ao comentar o fortalecimento da ICE durante o governo Trump, Norton fez uma comparação extrema: “Hoje em dia é assim: ‘O que vamos fazer em relação a uma Gestapo atirando em massa contra cidadãos americanos?’ Estamos sentados aqui falando de filmes enquanto um exército ilegal está sendo montado contra cidadãos dos EUA".
Também presente no festival, Natalie Portman, produtora e atriz de The gallerist, adotou um tom igualmente duro ao avaliar a situação nos Estados Unidos. “O que está acontecendo neste país agora é absolutamente horrível. O que o governo federal, o governo Trump, Kristi Noem, o ICE, o que eles estão fazendo é realmente o pior do pior da humanidade”, afirmou. Em seguida, destacou a solidariedade de parte da sociedade: “Ao mesmo tempo, temos o melhor da humanidade na forma como as pessoas estão aparecendo umas pelas outras".
A diretora Olivia Wilde, responsável por The invite, falou no tapete vermelho sobre o contraste entre a celebração do cinema e a realidade política do país. “Estamos todos aqui podendo celebrar algo realmente bonito e cheio de esperança na narrativa cinematográfica. Mas o mundo está sofrendo agora, e este país está sofrendo. E isso é revoltante”, declarou.
Outra voz a se manifestar foi a atriz Zoey Deutch, do filme Nouvelle vague, que comentou o sentimento ambíguo em relação à própria nacionalidade diante das ações do governo. “Sinto muito orgulho de ser americano, vendo como as comunidades e as pessoas estão se unindo neste momento. Mas, ao mesmo tempo, sinto muita vergonha de ser americano, vendo como nosso governo está lidando com as coisas. Só quero estar ao lado do incrível povo de Minnesota".
Fora do circuito de Sundance, a cantora Billie Eilish também se posicionou de forma crítica. Em discurso ao receber um prêmio por sua atuação em defesa do meio ambiente, dias antes da morte de Alex Pretti durante um protesto em Minneapolis, a artista relacionou a pauta ambiental ao contexto político mais amplo. “Estamos vendo nossos vizinhos sendo sequestrados, manifestantes pacíficos sendo agredidos e mortos, nossos direitos civis sendo retirados”, afirmou, ao citar ainda cortes em políticas ambientais e sociais. “Está muito claro que proteger o nosso planeta e as nossas comunidades não é uma prioridade para esta administração".
As manifestações continuaram nas redes sociais. Glenn Close publicou um vídeo no qual expressou revolta com o momento vivido pelo país. “Tenho assistido à nossa democracia sendo sistematicamente desmantelada e destruída”, disse a atriz, antes de concluir: “Estou indignada e enojada com o que está acontecendo sob o regime de Trump. A crueldade, a desumanidade e a arrogância (…) e, agora, o assassinato a sangue frio de cidadãos americanos".
As declarações evidenciam um movimento crescente de oposição pública de artistas ao governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, especialmente em relação às políticas migratórias e ao uso da força por órgãos federais, tema que segue no centro do debate político e social no país.


