Trump diz que governo revisa morte de Alex Pretti em ação do ICE
Presidente dos Estados Unidos evita avaliar conduta de agente em caso que provocou reação bipartidária e tensão sobre operações de imigração em Minnesota
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu governo está analisando a morte de Alex Pretti, enfermeiro de terapia intensiva de 37 anos baleado fatalmente por um agente federal durante um protesto em Minneapolis, mas se recusou a dizer se a ação do policial foi apropriada. Em declarações recentes, Trump evitou responder diretamente às perguntas sobre a conduta do agente envolvido e indicou que a apuração ainda está em andamento.
Em entrevista ao Wall Street Journal, o presidente dos Estados Unidos declarou que os agentes federais de imigração deixarão a região de Minneapolis “em algum momento”. Questionado duas vezes sobre se o policial que atirou em Pretti agiu corretamente, Trump não deu uma resposta objetiva. Ao insistirem na pergunta, ele afirmou: “Estamos analisando, estamos revisando tudo e chegaremos a uma conclusão".
Ainda de acordo com o relato, Trump criticou o fato de Pretti estar armado durante o protesto. “Não gosto de tiroteios. Não gosto mesmo. Mas também não gosto quando alguém vai a um protesto com uma arma potente, totalmente carregada e com dois carregadores cheios de balas. Isso também não pega bem”, disse o presidente dos Estados Unidos.
Trump também sinalizou a possibilidade de retirada futura das forças federais de imigração da área, elogiando a atuação dos agentes. “Em algum momento, nós iremos embora. Eles fizeram um trabalho fenomenal”, declarou.
O caso provocou reações dentro do próprio Partido Republicano. Um número crescente de parlamentares da legenda passou a defender uma investigação mais aprofundada sobre as táticas federais de imigração adotadas em Minnesota após a morte de Pretti, indicando que a versão apresentada pelo governo Trump pode enfrentar escrutínio bipartidário. O presidente republicano do Comitê de Segurança Interna da Câmara, Andrew Garbarino, solicitou depoimentos de dirigentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), da Alfândega e Proteção de Fronteiras e do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos. Segundo a Associated Press, Garbarino afirmou que “minha principal prioridade continua sendo manter os americanos em segurança”.
Outros republicanos também cobraram esclarecimentos, entre eles o deputado Michael McCaul, do Texas, e os senadores Thom Tillis, da Carolina do Norte, Bill Cassidy, da Louisiana, Susan Collins, do Maine, e Lisa Murkowski, do Alasca. As manifestações, somadas às preocupações expressas por governadores republicanos, revelam as dificuldades do partido em formular uma resposta unificada ao assassinato de Pretti por agentes federais.
Logo após o episódio, o Departamento de Segurança Interna (DHS) alegou que Pretti havia “resistido violentamente” aos policiais e que os disparos ocorreram “em legítima defesa”. No entanto, vídeos amplamente divulgados contradizem essa versão. O presidente dos Estados Unidos também publicou, em sua rede Truth Social, uma imagem da pistola que teria sido encontrada com Pretti, escrevendo: “Esta é a arma do atirador, carregada (com dois carregadores extras cheios!) e pronta para uso".
Embora Pretti supostamente tivesse permissão legal para portar uma arma, as imagens do momento do disparo não o mostram segurando o objeto. O vídeo registra um policial levando a mão à parte inferior das costas de Pretti, afastando-se com o que parece ser uma pistola, e, em seguida, a vítima sendo baleada e morta.
A controvérsia alcançou também o debate nacional sobre armas. A Associação Nacional de Rifles (NRA), principal grupo pró-armas do país, reagiu após Bill Essayli — nomeado por Trump para atuar temporariamente como procurador dos Estados Unidos na Califórnia em 2025 — publicar nas redes sociais: “Se você se aproximar da polícia armado, há uma grande probabilidade de que eles estejam legalmente justificados em atirar em você". Em resposta, a NRA afirmou: “Esse sentimento… é perigoso e errado. Vozes públicas responsáveis deveriam estar aguardando uma investigação completa, e não fazendo generalizações e demonizando cidadãos cumpridores da lei".
A ex-deputada republicana da Geórgia Marjorie Taylor Greene manifestou apoio às forças policiais, mas também defendeu o direito ao porte legal de armas. “Acredito, sem reservas, na segurança das fronteiras e na deportação de imigrantes ilegais criminosos, e apoio as forças policiais. No entanto, também apoio, sem reservas, a Segunda Emenda”, escreveu. Greene acrescentou: “Portar uma arma de fogo legalmente não é o mesmo que ostentar uma arma de fogo". Ela ainda afirmou: “Eu apoio os direitos da Primeira e da Quarta Emendas dos americanos. Não há nada de errado em protestar pacificamente e dentro da lei, e em filmar os protestos".
Do lado democrata, a reação foi dura. Parlamentares do partido prometeram bloquear novos repasses de recursos ao DHS caso um projeto que deve chegar em breve ao Senado não seja alterado para incluir reformas que limitem as ações de agentes federais na atual ofensiva de deportações. O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, afirmou que os democratas não fornecerão os votos necessários se o financiamento do DHS for mantido no texto. Um porta-voz do líder da maioria, John Thune, disse que os recursos para o DHS e outras áreas do governo serão votados em um único pacote.
Sem um acordo entre os partidos, o impasse pode levar a uma paralisação parcial do governo no fim de janeiro. O senador democrata Chris Murphy, de Connecticut, declarou à CNN: “Os democratas não podem votar para financiar este Departamento de Segurança Interna sem lei… que está matando cidadãos americanos, traumatizando meninos e meninas em todo o país, em violação da lei".


