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Clinton condena assassinato do governo Trump e alerta: “Se entregarmos nossas liberdades… talvez nunca as recuperemos”

Ex-presidente diz que ações de imigração adotam táticas “cada vez mais agressivas" e diz que estadunidenses podem perder suas liberdades

Ex-presidente dos EUA Bill Clinton (Foto: REUTERS/Florion Goga)

247 – O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton criticou, neste domingo, a conduta de agentes federais de imigração após mais um episódio fatal em Minneapolis, no estado de Minnesota, e afirmou que o governo do presidente Donald Trump “tem mentido” e orientado a população a não acreditar “no que viu com os próprios olhos”. As declarações foram publicadas em reportagem da Fox News, que relata o assassinato de um cidadão por agentes federais.

Alex Pretti, de 37 anos, foi baleado e morto no sábado por agentes da Patrulha de Fronteira (Border Patrol) enquanto registrava em vídeo uma ação federal de imigração em Minneapolis. A reportagem descreve Pretti como enfermeiro de UTI e afirma que ele teria tentado socorrer uma mulher derrubada por agentes, quando acabou atingido por spray irritante, empurrado ao chão e agredido.

Novo caso reacende tensão após morte anterior atribuída a ação do ICE

O caso ocorre após um período de tensão na cidade, intensificado, ainda segundo a reportagem, por protestos e inquietação pública relacionados à morte de Renee Nicole Good, ocorrida no início do mês em Minneapolis em um episódio envolvendo o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA).

O encadeamento dos dois casos — ambos envolvendo ações federais e mortes em circunstâncias descritas como violentas — elevou o tom do debate político e reacendeu questionamentos sobre a forma como operações migratórias vêm sendo conduzidas em áreas urbanas, especialmente quando há presença de cidadãos que tentam observar, documentar ou protestar.

Clinton denuncia “cenas horríveis” e afirma que pessoas foram “sequestradas” por agentes mascarados

Em declaração citada pela Fox News, Clinton disse que episódios recentes em Minneapolis e em outras comunidades apresentam um cenário que ele “nunca imaginou” ver nos Estados Unidos. Ele também afirmou que pessoas, “incluindo crianças”, teriam sido levadas de casas, locais de trabalho e das ruas por agentes federais mascarados.

"Nas últimas semanas, assistimos a cenas horríveis se desenrolarem em Minneapolis e em outras comunidades, que eu nunca pensei que aconteceriam na América. Pessoas, incluindo crianças, foram sequestradas de suas casas, locais de trabalho e da rua por agentes federais mascarados", afirmou Clinton, segundo o texto.

A reportagem também atribui ao ex-presidente a crítica de que manifestantes pacíficos e cidadãos que exerciam o direito constitucional de observar e registrar ações policiais teriam sido presos, agredidos e expostos a gás lacrimogêneo — e que, nos casos de Renee Good e Alex Pretti, acabaram mortos a tiros.

"Manifestantes pacíficos e cidadãos exercendo seu direito constitucional de observar e documentar as forças de segurança foram presos, espancados, atingidos por gás lacrimogêneo e, de forma mais dolorosa, nos casos de Renee Good e Alex Pretti, baleados e mortos", disse Clinton, conforme citado.

“Isso é inaceitável”, diz ex-presidente, ao cobrar responsabilização e questionar obstrução de investigações

Clinton classificou os acontecimentos como “inaceitáveis” e defendeu que as mortes “deveriam ter sido evitadas”. A declaração vai além da denúncia do uso da força: segundo a Fox News, o ex-presidente também acusou as autoridades de mentirem sistematicamente e de empregar táticas que dificultariam apurações por parte de autoridades locais.

"Para piorar ainda mais, a cada passo, as pessoas no comando mentiram para nós, nos disseram para não acreditar no que vimos com nossos próprios olhos e empurraram táticas cada vez mais agressivas e antagonistas, incluindo impedir investigações por autoridades locais", afirmou, ainda de acordo com a reportagem.

Ao colocar o foco na credibilidade institucional e no conflito entre autoridades federais e instâncias locais, Clinton direciona a crítica para um ponto sensível da política americana: a confiança pública nos órgãos do Estado e o equilíbrio entre segurança, imigração e direitos civis. O argumento central, como apresentado no texto, é o de que a violência e a suposta falta de transparência degradam a democracia por dentro — especialmente quando o próprio governo, segundo ele, tenta invalidar evidências visíveis ao público.

“Se entregarmos nossas liberdades… talvez nunca as recuperemos”, alerta Clinton

Em outro trecho citado, Clinton afirmou que há momentos raros na história em que decisões e ações moldam o futuro por anos — e classificou o contexto atual como um desses pontos de inflexão. Ele alertou para o risco de erosão de liberdades civis e convocou cidadãos a se manifestarem em defesa da democracia.

"Ao longo de uma vida, enfrentamos apenas alguns momentos em que as decisões que tomamos e as ações que realizamos moldarão nossa história por anos. Este é um deles. Se entregarmos nossas liberdades após 250 anos, talvez nunca as recuperemos. Cabe a todos nós que acreditamos na promessa da democracia americana nos levantarmos, nos manifestarmos e mostrarmos que nossa nação ainda pertence a ‘Nós, o Povo’", declarou, segundo a Fox News.

A fala, na forma como foi apresentada, combina um alerta institucional com um apelo político direto. Ao mencionar o risco de perder liberdades “após 250 anos”, Clinton procura enquadrar os episódios de Minneapolis como algo maior do que incidentes isolados: um teste para a capacidade do país de preservar direitos constitucionais diante de ações estatais controversas e de um discurso oficial que, segundo ele, tenta desqualificar o que é registrado por testemunhas e vídeos.

O que está em disputa: imigração, uso da força e o direito de observar o Estado

A reportagem ressalta que Alex Pretti foi morto enquanto documentava operações federais e, ainda conforme o texto, após reagir a uma cena em que uma mulher teria sido derrubada por agentes. É justamente nesse ponto que se concentra parte da controvérsia: quando cidadãos se colocam como observadores e registradores de ações estatais, o conflito entre autoridade e fiscalização social tende a se acirrar.

As declarações de Clinton, tal como reproduzidas, apontam para uma preocupação com o modo como o poder estatal é exercido em campo — especialmente quando envolve agentes mascarados, abordagens descritas como violentas e a repressão a quem observa. Ao mesmo tempo, o debate político se desloca para a responsabilidade institucional: o que deve ser apurado, por quem, e com que grau de transparência quando a ação é federal, mas o impacto recai sobre comunidades locais.

Sem detalhar desdobramentos investigativos, a reportagem enfatiza o caráter explosivo do tema em ano de grande polarização nos EUA: imigração, segurança e direitos civis se tornam terreno de disputa, e episódios fatais ampliam a pressão por esclarecimentos e por limites claros ao uso da força. Nesse cenário, a crítica de Clinton mira diretamente o governo do presidente Donald Trump — a quem ele atribui a escolha por táticas “agressivas e antagonistas” e por um discurso de negação do que estaria diante dos olhos da população.

Repercussão política e pressão por respostas

Ao associar os casos de Renee Nicole Good e Alex Pretti a uma escalada de violência e a uma suposta estratégia de desinformação institucional, Clinton reforça um argumento político com potencial de repercussão nacional: o de que a democracia perde sustentação quando o Estado atua de forma opaca e quando autoridades rejeitam evidências públicas.

A reportagem também menciona reações de outras lideranças — em chamada relacionada — mas o centro do texto é a declaração do ex-presidente e a descrição do episódio em Minneapolis. O impacto político tende a crescer à medida que novas informações venham a público e que autoridades locais e federais disputem narrativa e responsabilidade sobre o que ocorreu.

O caso, como apresentado, amplia a pressão por investigações independentes, por protocolos claros de atuação e por garantias de que o direito de protestar e de registrar ações do Estado não seja tratado como afronta passível de repressão. E, na leitura de Clinton, trata-se de um momento decisivo: ou o país reage para proteger liberdades civis, ou corre o risco de ver a normalização de práticas coercitivas que corroem a promessa democrática que ele invoca em seu apelo final.

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