Vaquinha para família de cidadão morto pelo ICE supera US$ 1 milhão nos EUA
A iniciativa foi organizada pelo youtuber Keith Edwards, que informou que o valor arrecadado será destinado ao pai da vítima, Michael Pretti
247 - Uma campanha de arrecadação criada para apoiar a família do enfermeiro Alex Pretti superou a marca de US$ 1 milhão, o equivalente a cerca de R$ 5,27 milhões, poucos dias após a morte do profissional em uma ação conduzida por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). O caso ocorreu no último sábado (24) e ganhou repercussão internacional após a divulgação de vídeos analisados pelo The New York Times.
A iniciativa foi organizada pelo youtuber Keith Edwards, que informou que o valor arrecadado será destinado ao pai da vítima, Michael Pretti. Segundo o The New York Times, as imagens registradas por testemunhas contradizem a versão oficial apresentada pelas autoridades federais sobre a abordagem que resultou na morte do enfermeiro.
Alex Pretti atuava como enfermeiro em unidades de terapia intensiva e foi morto em Minneapolis, capital do estado de Minnesota. Ele é o segundo cidadão norte-americano a morrer baleado por agentes federais de imigração no mesmo mês na cidade. No dia 7 de janeiro, Renee Good também foi atingida fatalmente durante uma operação do ICE voltada à captura de imigrantes em situação irregular.
A secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, afirmou que a ocorrência envolvendo Pretti teria começado após um homem “abordar agentes da Patrulha da Fronteira dos EUA com uma pistola semiautomática de 9 mm”. Mas a declaração é questionada por registros audiovisuais verificados pelo The New York Times.
De acordo com o jornal, os vídeos mostram Alex Pretti segurando um telefone celular no momento da abordagem, e não uma arma de fogo. As imagens indicam que ele foi derrubado no chão antes de ser atingido por disparos. Ainda segundo a apuração do NYT, o enfermeiro possuía autorização legal para porte de arma, o que reforçou os questionamentos sobre a conduta dos agentes envolvidos.
Mortes e ofensiva polêmica do governo Trump
O episódio ocorre em meio a um cenário de aumento de mortes sob custódia do ICE. Dados divulgados pela própria agência indicam que ao menos quatro pessoas morreram enquanto estavam detidas em centros de imigração nos primeiros dez dias de 2026. As vítimas, todas do sexo masculino, tinham entre 42 e 68 anos, sendo dois cidadãos de Honduras, um de Cuba e outro do Camboja.
O ano de 2025 já havia sido registrado como o mais letal das últimas duas décadas para detentos do ICE, com 30 mortes sob custódia, o maior número desde 2004. As estatísticas reacenderam críticas à política migratória adotada pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A gestão de Donald Trump intensificou as ações de deportação e fiscalização migratória. Segundo dados oficiais, entre 20 de janeiro e 10 de dezembro de 2025, cerca de 605 mil pessoas foram deportadas dos Estados Unidos. No fim de dezembro, mais de 68 mil adultos estavam detidos pelo ICE, quase o dobro do registrado em dezembro de 2023, quando o número girava em torno de 36 mil.
O caso de Alex Pretti ampliou o debate sobre os impactos da política migratória norte-americana, especialmente diante de episódios que têm atingido também cidadãos dos próprios Estados Unidos durante operações conduzidas por agentes federais.


