Casa Branca responsabiliza democratas por distúrbios em Minneapolis e pede lei para acabar com "cidades santuário"
Após assassinato de Alex Pretti, Casa Branca culpa democratas, ignora imagens do caso e defende fim das cidades santuário
247 - O assassinato do enfermeiro Alex Pretti, baleado por um agente federal da Patrulha de Fronteiras enquanto filmava uma operação de imigração em Minneapolis, colocou o governo dos Estados Unidos no centro de uma nova crise política nesta segunda-feira (26). Em vez de responder diretamente às circunstâncias do assassinato, o presidente Donald Trump e a Casa Branca reagiram atribuindo os distúrbios na cidade a lideranças do Partido Democrata e reforçando a defesa de medidas mais duras contra municípios que não colaboram com o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês). As informações são do jornal O Globo.
Governo Trump pede ao Congresso o fim das "cidades santuário"
A Casa Branca também informou que Trump está pedindo ao Congresso dos Estados Unidos a aprovação imediata de uma legislação que "acabe de vez" com as chamadas cidades santuário, expressão usada para designar municípios que não cooperam com o ICE.
Em entrevista coletiva, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o presidente não deseja ver pessoas feridas ou mortas nas ruas do país, apesar do assassinato de duas pessoas em operações federais de imigração em Minneapolis, sendo a mais recente a de Pretti, ocorrida no sábado (24).
Sem provas, Casa Branca atribui responsabilidade aos democratas de Minnesota
A porta-voz da Casa Branca responsabilizou os democratas pelos protestos e pela reação popular após o envio de um grande contingente de agentes federais mascarados à cidade.Segundo Leavitt, a escalada de tensão teria sido provocada por autoridades do Partido Democrata de Minnesota. "Essa tragédia ocorreu como resultado de uma resistência deliberada e hostil por parte dos líderes democratas em Minnesota", declarou.
Leavitt acusou o governador Tim Walz, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e outros representantes eleitos de espalharem informações falsas sobre agentes federais. "Por semanas, eles espalharam mentiras sobre os agentes da lei federais que arriscam suas vidas diariamente para remover os piores criminosos imigrantes ilegais de nossas ruas", afirmou.
Enfermeiro foi assassinado enquanto filmava operação de imigração
O episódio mais recente ocorreu na manhã de sábado (24), quando Alex Pretti, enfermeiro de terapia intensiva e cidadão estadunidense, foi assassinado por um agente federal da Patrulha de Fronteiras em Minneapolis. Pretti filmava a atuação dos agentes quando foi baleado e morreu no local.
Desde então, integrantes do governo federal passaram a defender publicamente a conduta do agente envolvido. Questionado duas vezes sobre se o oficial havia agido corretamente, Trump não respondeu de forma direta. "Estamos olhando, estamos revisando tudo e vamos chegar a uma conclusão", afirmou. Em seguida, o presidente criticou o fato de Pretti portar uma arma durante o protesto. "Eu não gosto de nenhum ataque a tiros. Eu não gosto disso. Mas também não gosto quando alguém vai a um protesto carregando uma arma muito poderosa, totalmente carregada, com dois carregadores cheios de munição. Isso também não fica bem."
Imagens contradizem versão oficial sobre o caso
De acordo com o Departamento de Segurança Interna, o DHS, Pretti carregava uma pistola semiautomática calibre 9 milímetros. O órgão afirmou que o episódio começou após o enfermeiro abordar os agentes com a arma de fogo e que houve tentativa de desarmá-lo.
Imagens do momento, no entanto, contradizem a versão apresentada pelo governo federal. Os registros mostram que Pretti segurava um telefone celular enquanto se aproximava dos agentes e não indicam que ele tenha tentado sacar a arma.
Horas após a morte, Trump afirmou que autoridades locais de Minnesota deveriam permitir que os agentes federais de imigração "façam o seu trabalho". Em publicação nas redes sociais, o presidente acusou o governador e o prefeito da região de "incitarem a insurreição com sua retórica pomposa, perigosa e arrogante". Trump também afirmou que "doze mil imigrantes ilegais criminosos, muitos deles violentos, foram presos e expulsos de Minnesota".

