Assassinato de Larijani não abala estrutura política do Irã, diz chanceler
Ministro afirma que sistema iraniano é sólido e resiste à morte de líderes em meio à escalada da guerra deflagrada por EUA e Israel
247 - O assassinato de Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, não deverá comprometer a estabilidade do sistema político do país, segundo declarou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi. A avaliação foi feita após a confirmação oficial da morte do dirigente, ocorrida em um ataque de Israel.
Em entrevista à rede Al Jazeera, Araghchi sustentou que a estrutura institucional do Irã permanece sólida apesar das perdas recentes na liderança. Segundo a emissora, o chanceler afirmou que tanto os Estados Unidos quanto Israel ainda não compreenderam que o funcionamento do Estado iraniano não depende de figuras individuais.
“O Irã possui uma estrutura política forte, com instituições políticas, econômicas e sociais consolidadas”, afirmou Araghchi. Ele acrescentou: “A presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura”.
O ministro reconheceu a relevância de lideranças individuais, mas enfatizou que o sistema como um todo é resiliente. “Os indivíduos são influentes, e cada pessoa desempenha seu papel, mas o que importa é que o sistema político no Irã é uma estrutura muito sólida”, declarou.
Araghchi também mencionou a morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei, ocorrida no início dos ataques israelenses e norte-americanos em 28 de fevereiro, como exemplo da continuidade institucional. “Não tivemos ninguém mais importante do que o próprio líder, e mesmo quando ele foi martirizado, o sistema continuou a funcionar e providenciou imediatamente um substituto”, disse. O chanceler acrescentou: “Se mais alguém for martirizado, será a mesma coisa”.
Larijani, de 67 anos, era considerado uma das figuras mais influentes do establishment iraniano e próximo tanto de Khamenei quanto de seu sucessor, Mojtaba Khamenei. Sua morte marca a perda de um dos principais nomes da liderança de Teerã desde o início da atual escalada militar, há cerca de três semanas.
Além dele, a mídia estatal iraniana confirmou a morte do brigadeiro-general Gholamreza Soleimani, chefe das forças Basij, destacamento vinculado à Guarda Revolucionária Islâmica. Ele desempenhou papel relevante na resposta militar do Irã à agressão dos EUA e Israel.
Para o analista político Marwan Bishara, da Al Jazeera, a estratégia de assassinatos direcionados adotada por Israel foge ao padrão tradicional de conflitos armados. “Em guerras, não se começa matando líderes políticos, incluindo líderes eleitos. Esse programa de assassinatos é coisa de gângster, é terrorismo, não é a norma da guerra”, afirmou.
Bishara avaliou ainda que, embora o sistema político iraniano seja robusto, a eliminação de lideranças pode provocar efeitos cumulativos. Segundo ele, tais ações geram “mudanças quantitativas que levam a mudanças qualitativas” no cenário político.
Na entrevista, Araghchi reiterou que o Irã não considera o conflito atual como uma escolha própria e responsabilizou diretamente os Estados Unidos pela escalada. “Esta guerra não é a nossa guerra. Nós não começamos isso. Os Estados Unidos começaram e são responsáveis por todas as consequências desta guerra – humanas e financeiras – seja para o Irã, para a região ou para o mundo inteiro”, declarou.
O ministro concluiu afirmando que Washington deve responder pelos desdobramentos do conflito: “Os Estados Unidos devem ser responsabilizados”.


