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Irã ataca Tel Aviv com ogivas de fragmentação em retaliação ao assassinato de Larijani

Retaliação pela morte de chefe de segurança eleva tensão no Oriente Médio e agrava crise energética global

Ataque de mísseis iranianos em Tel Aviv (Foto: Jamal Awad / Reuters)

247 - O Irã lançou um ataque contra Tel Aviv com mísseis equipados com ogivas de fragmentação, em uma ofensiva que deixou mortos e ampliou a escalada militar no Oriente Médio. A ação foi realizada me resposta direta ao assassinato de Ali Larijani, chefe de segurança do país.

Segundo a agência Reuters, o bombardeio ocorreu na madrugada desta quarta-feira (18) e atingiu uma área próxima à região metropolitana densamente povoada de Tel Aviv, onde também estão instaladas estruturas militares estratégicas. O ataque matou duas pessoas e elevou para ao menos 14 o total de mortos em Israel desde o início do conflito.

De acordo com a Guarda Revolucionária Islâmica, os mísseis utilizados incluíram modelos Khorramshahr 4 e Qadr, ambos capazes de transportar múltiplas ogivas. Esse tipo de armamento dispersa diversos explosivos menores no ar, ampliando o alcance destrutivo e dificultando a interceptação por sistemas de defesa.

O governo iraniano confirmou a morte de Ali Larijani, uma das figuras mais influentes do país. Ele chefiava o Conselho Supremo de Segurança Nacional e foi morto em um ataque israelense que também vitimou seu filho e o vice, Alireza Bayat. O episódio ocorreu dias após a morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, no início da guerra envolvendo Estados Unidos e Israel.

Sem sinais de recuo, o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, rejeitou propostas de cessar-fogo e negociações para reduzir tensões. Segundo uma autoridade iraniana, ele afirmou que não é “o momento certo para a paz até que os Estados Unidos e Israel sejam levados à derrota e paguem compensação”.

O conflito também se intensificou em outros pontos da região. No Líbano, ataques israelenses atingiram áreas de Beirute e outras regiões do país, deixando pelo menos seis mortos na capital e dezenas de feridos. Outras ofensivas no sul e leste libanês provocaram mais mortes, aprofundando o envolvimento do país na guerra após ações do Hezbollah contra Israel.

Desde o início da ofensiva israelense, mais de 900 pessoas morreram no Líbano e cerca de 800 mil foram deslocadas, segundo autoridades locais. Já no Irã, estimativas apontam mais de 3 mil mortos desde o início dos ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel no fim de fevereiro.

O confronto também atingiu áreas sensíveis do programa nuclear iraniano. Um projétil caiu nas proximidades da usina de Bushehr, sem causar danos ou vítimas. O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, fez um apelo por máxima contenção para evitar um acidente nuclear.

Os Estados Unidos intensificaram sua atuação militar ao atingir alvos na costa iraniana próximos ao Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo global. O objetivo declarado foi neutralizar mísseis antinavio que ameaçavam o tráfego internacional.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou aliados da OTAN por recusarem apoio militar na região. Ele classificou a postura como “um erro muito tolo”, em meio à dificuldade de formar uma coalizão internacional para garantir a segurança da rota energética.

A guerra já provoca impactos globais. O preço do petróleo disparou cerca de 45% desde o início do conflito, ultrapassando os US$ 100 por barril em vários momentos. A Agência Internacional de Energia classificou a situação como a pior crise energética desde a década de 1970.

Companhias aéreas alertaram para aumento expressivo nos custos com combustível, enquanto organizações internacionais projetam agravamento da fome em diversas regiões caso o conflito se prolongue. A instabilidade no Oriente Médio segue sem sinais de trégua, ampliando os riscos para a segurança global e a economia mundial.

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