Aumento de tarifas anunciado por Trump provoca cautela e reação de líderes globais
Governos analisam impactos e possíveis retaliações após EUA elevar tarifas globais de 10% para 15%
247 - Líderes de diferentes regiões do mundo adotaram postura cautelosa no sábado (21) após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a elevação da tarifa global de 10% para 15%. A decisão do presidente dos EUA ocorre um dia depois de a Suprema Corte do país considerar ilegais tarifas anteriores impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. As informações são do jornal O Globo.
Trump havia anunciado imediatamente uma tarifa geral de 10% na sexta-feira (20), após a decisão do tribunal. A nova taxação está fundamentada em uma legislação conhecida como Seção 122, que permite tarifas de até 15%, mas exige aprovação do Congresso para prorrogá-la após 150 dias. Nenhum presidente havia anteriormente invocado a regra, e seu uso pode resultar em novos questionamentos judiciais.
Europa
A União Europeia convocou uma reunião de emergência para segunda-feira (23) a fim de avaliar os impactos da medida e o futuro das relações comerciais com Washington. O porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, afirmou que o bloco busca "clareza sobre os passos" dos Estados Unidos e defende "estabilidade e previsibilidade" nas relações comerciais.
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, declarou que coordenará uma resposta conjunta com aliados europeus antes de viagem aos Estados Unidos. Em entrevista à emissora ARD, disse que haverá "um posicionamento muito claro sobre isso, porque a política alfandegária é uma questão da União Europeia, não dos Estados-Membros individualmente".
O ministro do Comércio da França, Nicolas Forissier, afirmou que a União Europeia dispõe de instrumentos para reagir, incluindo um mecanismo "anticoerção" que permite controles de exportação e tarifas sobre serviços de empresas dos Estados Unidos. O bloco mantém ainda suspenso um pacote de tarifas retaliatórias sobre mais de US$ 95 bilhões em produtos estadunidenses. Forissier declarou: "Não podemos mais ser ingênuos. Temos que usar nossas ferramentas e não apenas falar sobre elas. Não queremos ser dependentes. Não queremos ser reféns".
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou, antes de Trump anunciar o aumento das taxas de 10% para 15%, que analisará as consequências da nova tarifa global, destacando o interesse do país em manter exportações para os Estados Unidos, incluindo produtos agrícolas, de luxo, de moda e aeronáuticos. Sobre a decisão da Suprema Corte, declarou: "Não é ruim ter uma Suprema Corte e, portanto, o Estado de Direito. É bom ter poder e contrapesos ao poder nas democracias".
O governo do Reino Unido indicou que pretende preservar sua posição comercial diferenciada com os Estados Unidos. William Bain, chefe da Câmara de Comércio Britânica, afirmou à Reuters que a decisão "pouco contribuiu para esclarecer as águas turvas" e que a prioridade britânica é reduzir tarifas sempre que possível.
América do Norte
No Canadá, isento da nova tarifa em razão de acordo vigente com os Estados Unidos, o ministro responsável pelas relações comerciais, Dominic LeBlanc, afirmou que a decisão da Suprema Corte "reforça a posição do Canadá de que as tarifas impostas pelos EUA são injustificadas". Ele acrescentou que continuará apoiando empresas que ainda enfrentam taxas sobre aço, alumínio e setor automotivo.
No México, a presidente Claudia Sheinbaum declarou que o governo analisará a resolução com atenção. O ministro da Economia, Marcelo Ebrard, pediu "prudência" e observou que mais de 85% das exportações mexicanas aos Estados Unidos não estão sujeitas a tarifas.
Ásia
No Japão, o governo informou que manterá os termos do acordo comercial firmado no ano passado com os Estados Unidos. Está prevista para o próximo mês, em Washington, uma cúpula entre a primeira-ministra Sanae Takaichi e Donald Trump. Na Coreia do Sul, o governo destacou que a decisão da Suprema Corte anulou a tarifa "recíproca" de 15% aplicada a seus produtos, mas ressaltou que permanecem vigentes taxas sobre automóveis e aço com base em outras legislações.
Taiwan avaliou preliminarmente que a nova tarifa terá "impacto limitado" sobre sua economia. Em comunicado divulgado no sábado (21), informou que continuará a "monitorar de perto" os desdobramentos e manterá "comunicação estreita" com o governo dos Estados Unidos. Já na Indonésia, que concluiu nesta semana um acordo comercial com Washington, o Ministério da Economia afirmou que está "acompanhando os últimos desenvolvimentos".


