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Brasil vai reforçar posição de Lula no Conselho de Segurança da ONU sobre a Venezuela

Governo brasileiro pretende condenar agressão militar dos EUA e reafirmar defesa da soberania venezuelana em reunião convocada após ataques em Caracas

Reunião do Conselho de Segurança da ONU (Foto: Eduardo Munoz / Reuters)

247 - O Brasil pretende pedir a palavra na reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que discutirá a situação na Venezuela, após a agressão militar registrada no país sul-americano, informa o g1. O encontro foi convocado a pedido da Colômbia, depois de ataques realizados pelos Estados Unidos em Caracas, que resultaram no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, na madrugada de sábado (3).

Embora o Brasil não ocupe assento permanente no Conselho de Segurança, a diplomacia brasileira articula um pronunciamento oficial para registrar sua posição diante do episódio.

O embaixador do Brasil junto à ONU, Sérgio Danese, deverá reafirmar que a ofensiva militar norte-americana representa uma afronta direta à soberania da Venezuela e uma violação das normas do direito internacional. A linha do discurso seguirá o mesmo tom adotado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante a reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizada no domingo (4), além de refletir a posição expressa publicamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em seu único pronunciamento oficial sobre o caso, Lula classificou a ação como uma grave ruptura de princípios internacionais. “Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, afirmou.

O presidente também alertou para os riscos de normalização do uso da força nas relações internacionais. “Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo. A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões”, acrescentou.

Lula destacou ainda o impacto histórico e regional da ofensiva. “A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz”, disse. Em seguida, defendeu uma reação firme da comunidade internacional: “A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”.

Após os ataques, o governo brasileiro convocou uma reunião ministerial para avaliar a resposta política e os possíveis reflexos da crise no território nacional. A fronteira com a Venezuela, especialmente na região de Pacaraima, em Roraima, passou a ser monitorada pelo Ministério da Defesa.

Em paralelo, diversos países divulgaram comunicados expressando preocupação com a escalada do conflito. As notas ressaltam que ações militares desse tipo criam um precedente perigoso para a paz internacional, colocam a população civil em risco e defendem que a situação venezuelana seja resolvida sem interferências externas, respeitando a vontade do povo do país. 

“Reafirmamos que apenas um processo político inclusivo, liderado pelas venezuelanas e pelos venezuelanos, pode conduzir a uma solução democrática, sustentável e respeitosa da dignidade humana”, afirma um dos trechos do comunicado conjunto.

A crise também dominou a agenda da reunião da Celac, que contou com a participação do chanceler Mauro Vieira. No entanto, divergências entre os países impediram a divulgação de uma posição unificada ao final do encontro, evidenciando as dificuldades de consenso regional diante da gravidade do cenário na Venezuela.

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