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Chanceler iraniano diz estar pronto para enfrentar invasão terrestre dos EUA e rejeita negociações

Abbas Araghchi afirma que Teerã não pediu cessar-fogo, acusa EUA e Israel por ataque que matou crianças e descarta diálogo com Washington

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, discursa durante uma coletiva de imprensa conjunta com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, em Teerã, Irã, em 25 de fevereiro de 2025. (Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS )

247 - O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta quinta-feira (5) que o país está preparado para enfrentar uma eventual invasão terrestre dos Estados Unidos, em meio à intensificação dos ataques conduzidos por forças americanas e israelenses contra território iraniano.

As declarações foram dadas durante uma entrevista concedida a um telejornal internacional, diretamente de Teerã, enquanto bombardeios continuam sendo registrados em diferentes regiões do país.

Irã afirma estar preparado para confronto militar

Questionado sobre a possibilidade de tropas americanas iniciarem uma ofensiva terrestre, Araghchi adotou um tom de desafio e disse que o Irã está pronto para responder militarmente.

“Não, estamos esperando por eles”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Porque estamos confiantes de que podemos enfrentá-los, e isso seria um grande desastre para eles.”

O chanceler também declarou que Teerã não solicitou um cessar-fogo diante da ofensiva militar recente.

“Não pedimos cessar-fogo nem da última vez. Na ocasião anterior, foi Israel quem pediu cessar-fogo. Eles pediram um cessar-fogo incondicional após 12 dias em que resistimos à agressão deles.”

A fala faz referência ao conflito de 12 dias ocorrido em junho, quando forças israelenses e americanas realizaram ataques contra instalações nucleares iranianas.

Acusação por ataque que matou crianças

Durante a entrevista, Araghchi também comentou um ataque ocorrido em uma escola primária na cidade de Minab, que resultou na morte de dezenas de crianças. Autoridades americanas afirmaram que o episódio está sendo investigado e levantaram a hipótese de que a explosão possa ter sido provocada por uma munição iraniana.

O chanceler rejeitou essa versão e atribuiu a responsabilidade aos bombardeios conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel.

“Isso foi o que nossos militares disseram. Então foi ou os Estados Unidos ou Israel. Qual é a diferença?”, declarou.

Segundo ele, 171 crianças morreram no ataque.

Irã descarta novas negociações com Washington

Araghchi também afirmou que o atual conflito ocorreu enquanto negociações diplomáticas ainda estavam em andamento entre autoridades iranianas e representantes ligados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

De acordo com o ministro, reuniões haviam sido realizadas recentemente em Genebra com o enviado de Trump, Steve Witkoff, e com Jared Kushner. Após os bombardeios, Teerã considera improvável qualquer retomada do diálogo.

“O fato é que não temos nenhuma experiência positiva de negociação com os Estados Unidos. Especialmente com este governo.”

Ele acrescentou: “Negociamos duas vezes no ano passado e neste ano, e no meio das negociações eles nos atacaram.”

Para o chanceler iraniano, essa sequência de acontecimentos compromete a confiança necessária para qualquer nova rodada diplomática.

“Não vemos motivo para nos envolver novamente com aqueles que não são honestos nas negociações e que não entram nelas de boa-fé.”

Chanceler vê guerra sem vencedores

Ao avaliar o cenário do conflito em curso, Araghchi afirmou que a guerra dificilmente produzirá vencedores claros.

“Não há vencedor nesta guerra”, declarou. “Nossa vitória é conseguir resistir a objetivos ilegais, e é isso que temos feito até agora.”

Processo de sucessão no Irã

A escalada militar ocorre após a morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, durante ataques recentes. A situação abriu um vácuo de poder no país e alimentou especulações sobre quem poderá assumir a liderança.

Entre os nomes mencionados nos rumores está Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder supremo. A possibilidade gerou debates internos por lembrar a lógica de sucessão familiar associada ao regime monárquico derrubado pela Revolução Islâmica de 1979.

Araghchi afirmou que a escolha seguirá o mecanismo institucional previsto na Constituição iraniana.

“Há muitos rumores, mas precisamos esperar que a Assembleia de Peritos escolha um novo líder supremo.”

O chanceler explicou que o processo pode demorar devido à guerra em andamento. A Assembleia de Peritos é um órgão composto por 88 membros responsável por eleger o líder supremo.

“Há muitos rumores, mas ninguém sabe exatamente quem poderá ser eleito no final.”

Ele também rejeitou especulações de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria sugerido participar da escolha do novo líder.

“Isso é absolutamente um assunto do povo iraniano, e ninguém pode interferir.”

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