China condena julgamento de Maduro nos EUA e cobra libertação imediata
Pequim afirma que processo viola soberania venezuelana e rejeita ingerência estrangeira, reiterando apoio ao governo bolivariano
247 - O governo da República Popular da China manifestou rejeição categórica ao julgamento do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, realizado nos Estados Unidos, classificando a iniciativa como uma afronta direta à soberania do país sul-americano e ao direito internacional. A posição foi apresentada por autoridades chinesas em declarações oficiais que reafirmam o compromisso de Pequim com a autodeterminação dos povos e a legalidade internacional.
A informação foi divulgada pela emissora teleSUR, que reportou as declarações da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning. Segundo ela, “nenhum país pode antepor suas próprias normas internas ao direito internacional”, ao exigir de Washington a libertação imediata de Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, com garantias plenas de segurança pessoal para ambos.
Em sua primeira aparição perante o tribunal do Distrito Sul de Nova York, o presidente venezuelano rejeitou as acusações que lhe foram impostas. “Não sou culpado”, afirmou Maduro diante do juiz. Em seguida, declarou: “Sou um homem decente, sou o presidente do meu país”, ao contestar as acusações de narcotráfico formuladas pela administração de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. O líder bolivariano reafirmou sua condição de presidente constitucional da Venezuela e denunciou estar na condição de prisioneiro de guerra. Cilia Flores também se declarou inocente das acusações.
A posição chinesa foi reforçada pelo chanceler Wang Yi, que criticou duramente a pretensão de uma única potência agir como autoridade global. O ministro rejeitou que qualquer país se arrogue o papel de “polícia do mundo” e de juiz internacional, reiterando que a China sustenta sua política externa no respeito à legalidade, à soberania dos Estados e à autodeterminação dos povos.
Pequim também reiterou que a Relação Estratégica a Toda Prova e Todo Tempo entre China e Venezuela permanece inalterada, apesar das agressões externas. A chancelaria chinesa afirmou que a disposição para aprofundar a cooperação prática com Caracas não será afetada, independentemente do cenário político imposto por pressões internacionais.
As autoridades chinesas voltaram a expressar confiança de que o governo bolivariano conduzirá seus assuntos internos em estrita observância à Constituição venezuelana, rejeitando de forma inequívoca qualquer tentativa de ingerência estrangeira nos assuntos do país. Para Pequim, tais ações representam uma ameaça ao equilíbrio global e às normas básicas da convivência internacional.
As declarações ocorrem após a ofensiva militar em larga escala lançada pelos Estados Unidos em 3 de janeiro, que resultou no sequestro da liderança venezuelana e em dezenas de mortes, entre civis e militares. Segundo o relato, a operação foi justificada por Washington com acusações consideradas falsas de narcotráfico e precedida por meses de cerco naval no Caribe.
Diante desse cenário, a China reiterou seu apoio firme ao povo venezuelano e sua disposição de atuar junto à comunidade internacional na defesa da paz na América Latina. Enquanto Delcy Rodríguez assume a presidência encarregada para garantir a continuidade institucional do país, Pequim reafirma seu respaldo à soberania da Venezuela e rejeita qualquer tentativa de administração externa do território venezuelano, classificando a ofensiva como uma violação das normas mais elementares do direito internacional.



