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Cuba confirma negociações com EUA em meio a crise energética

Governo cubano relata falta total de combustível por três meses e diz que diálogo com Washington busca solução para diferenças bilaterais

Pessoas na rua durante um apagão em massa em grande parte do país, em Havana, Cuba (Foto: Norlys Perez/Reuters)

247 - Cuba confirmou a abertura de negociações com os Estados Unidos em meio a uma grave crise econômica e energética que atinge o país caribenho. O anúncio foi feito pelo presidente Miguel Díaz-Canel, que afirmou que os contatos com Washington têm como objetivo encontrar saídas diplomáticas para as divergências entre os dois governos.

A informação foi divulgada originalmente pela agência Reuters e ocorre em um momento de forte pressão sobre Havana, após medidas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que incluem um bloqueio ao fornecimento de petróleo para a ilha.

Segundo Díaz-Canel, as conversas estão focadas na busca de entendimento entre as duas nações. “Estas conversas têm sido voltadas a encontrar soluções, por meio do diálogo, para as diferenças bilaterais que temos entre as duas nações”, afirmou o presidente em um vídeo transmitido pela televisão estatal cubana.

Crise energética e bloqueio de petróleo

O governo cubano enfrenta um cenário de dificuldades econômicas agravadas por apagões prolongados e escassez de combustível. A situação se intensificou após medidas anunciadas por Donald Trump, que interromperam o envio de petróleo venezuelano à ilha e ameaçaram impor tarifas a países que comercializem petróleo com Cuba.

Durante entrevista coletiva à imprensa cubana, Díaz-Canel afirmou que nenhum combustível entrou em Cuba nos últimos três meses, o que comprometeu seriamente o funcionamento da rede elétrica nacional.

A falta de diesel e de óleo combustível, segundo ele, tornou o sistema elétrico cada vez mais instável. O presidente destacou ainda que o governo trabalha para ampliar a independência energética do país, com aumento da produção doméstica de petróleo e gás, além da expansão da geração solar.

Negociações conduzidas por Díaz-Canel e Raúl Castro

De acordo com o líder cubano, as conversas estão sendo conduzidas pelo próprio governo de Havana, com participação do ex-presidente Raúl Castro e de outros dirigentes do Partido Comunista.

Díaz-Canel não detalhou quem representa oficialmente os Estados Unidos nas tratativas, nem informou quando e onde ocorreram os encontros. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou recentemente que o secretário de Estado Marco Rubio estaria envolvido nas discussões.

Segundo Díaz-Canel, os contatos ainda estão em estágio inicial e têm como objetivo verificar se existe disposição real de ambas as partes para alcançar um acordo.

O presidente cubano ressaltou que Havana pretende manter o diálogo “com base na igualdade e no respeito aos sistemas políticos de ambos os Estados, e à soberania e autodeterminação de nossos governos”.

Intermediação internacional e histórico de negociações

Em entrevista à imprensa, Díaz-Canel também afirmou que os encontros entre representantes dos dois países foram facilitados por mediadores internacionais. “Funcionários cubanos mantiveram recentemente conversas com representantes do governo dos Estados Unidos para buscar, por meio do diálogo, uma possível solução para as diferenças bilaterais entre nossas nações. Esses intercâmbios foram facilitados por atores internacionais”, disse.

Historicamente, o Vaticano já desempenhou papel de mediador em negociações entre Cuba e Estados Unidos, como ocorreu em 2014, durante o governo do então presidente norte-americano Barack Obama, quando os dois países iniciaram um processo de reaproximação diplomática.

Libertação de presos após acordo com o Vaticano

Na véspera do anúncio das negociações, o governo cubano informou que pretende libertar 51 presos nos próximos dias, em cumprimento a um acordo firmado com o Vaticano.

A medida foi anunciada duas semanas após o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, reunir-se com o papa Leão no Vaticano.

Entre os participantes do encontro do Partido Comunista em que Díaz-Canel comentou as negociações também estava Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro. Conhecido como “El Cangrejo”, ele foi visto entre os dirigentes presentes, embora não ocupe oficialmente um cargo de alto escalão na estrutura partidária.

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