Democratas articulam boicote ao discurso do Estado da União de Trump
Oposição prepara ato paralelo em Washington e avalia ausência no Capitólio
247 - A bancada democrata no Congresso dos Estados Unidos organiza uma série de ações para marcar posição contra o discurso do Estado da União do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previsto para 24 de fevereiro. A mobilização ocorre em um cenário de forte tensão política em Washington, agravado por uma paralisação parcial do Departamento de Segurança Interna (DHS) e pela recente divulgação de documentos ligados ao caso Jeffrey Epstein.
Segundo reportagem da Telesur, os democratas discutem estratégias que vão desde a ausência total no plenário do Capitólio até a permanência em silêncio absoluto durante a fala presidencial, com o objetivo de evitar que a transmissão oficial transmita uma imagem de apoio institucional unânime ao chefe da Casa Branca.
Entre as iniciativas planejadas está a realização de um evento alternativo intitulado “O Discurso Popular sobre o Estado da União”, marcado para ocorrer simultaneamente no National Mall, nas proximidades do Capitólio. A proposta é abrir espaço para que cidadãos impactados por políticas econômicas e de saúde adotadas por Trump em seu segundo mandato relatem suas experiências.
A movimentação da oposição rompe com a tradição de cortesia que costuma marcar as sessões solenes do Congresso durante o pronunciamento anual do presidente. Historicamente, o discurso do Estado da União é acompanhado por demonstrações formais de respeito institucional, mesmo em contextos de divergência política.
O ambiente político está tensionado pela paralisação parcial do DHS, que já dura cinco dias e não apresenta perspectiva imediata de resolução. A interrupção administrativa amplia o desgaste do governo em um momento delicado, em que novos desdobramentos do caso Epstein vieram a público.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou recentemente um volume expressivo de documentos relacionados ao criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein. De acordo com a teleSUR, o material inclui cerca de três milhões de páginas, 180 mil imagens e 2 mil vídeos, configurando a maior liberação governamental desde a aprovação, em 2024, da legislação que determinou a desclassificação dos arquivos.
Ainda segundo a publicação, os documentos reúnem depoimentos e alegações compiladas pelo FBI (Departamento Federal de Investigação) que associariam Trump a crimes sexuais. Entre os registros mencionados estão descrições de eventos denominados festas “Calendar Girls”, realizados na residência de Mar-a-Lago, onde, conforme os arquivos, Epstein fornecia jovens mulheres que eram leiloadas.
Diante desse contexto, parlamentares democratas buscam demonstrar oposição à agenda do governo sem, segundo avaliam, contribuir para o que consideram um espetáculo midiático capaz de reforçar a narrativa presidencial. O impacto político da estratégia dependerá do número de congressistas que optarem por participar do ato público alternativo em vez de comparecer ao plenário da Câmara, em uma das sessões mais controversas dos últimos anos no Congresso norte-americano.


