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Departamento de Estado dos EUA nega tentativa de interferência nas eleições: "presidente do Brasil é escolha dos brasileiros"

Amanda Robertson nega influência de Flávio Bolsonaro e afirma que classificação de PCC e CV como terroristas não tem relação com eleições brasileiras

Amanda Roberson, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA (Foto: Reprodução/Captura de tela de vídeo da Globonews)
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247 - A porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos no Brasil, Amanda Roberson, afirmou nesta sexta-feira (29) que a escolha do presidente da República é uma decisão que cabe exclusivamente aos brasileiros. Segundo o G1, a declaração foi dada durante entrevista à GloboNews e ocorre em meio à repercussão da decisão do governo dos Estados Unidos de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas internacionais.

Na entrevista, a representante estadunidense rejeitou qualquer possibilidade de que a medida adotada por Washington tenha relação com uma eventual interferência no processo eleitoral brasileiro ou nos rumos políticos do país.

“O presidente do Brasil é decisão dos brasileiros”, declarou Amanda ao ser questionada sobre a possibilidade de a classificação das facções criminosas abrir espaço para algum tipo de intervenção dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.

Segundo ela, a prioridade do governo do presidente Donald Trump é fortalecer a segurança e a economia dos EUA. “A prioridade dos EUA também é a nossa economia, fazendo nosso país mais forte. Agora, a decisão do presidente do Brasil é dos brasileiros. Estamos focando na nossa estratégia de fazer os EUA e o mundo mais seguros”, afirmou.

Decisão sobre PCC e CV

A fala ocorre um dia após o governo dos Estados Unidos anunciar oficialmente a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas internacionais. A medida deverá entrar em vigor em 5 de junho e tem provocado reações no governo brasileiro.

O Departamento de Estado sustenta que as duas facções estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e são responsáveis por ataques considerados brutais. A classificação amplia os instrumentos legais disponíveis para as autoridades estadunidenses combaterem atividades ligadas a esses grupos, especialmente aquelas que envolvam operações financeiras, lavagem de dinheiro e conexões internacionais.

Flávio Bolsonaro e encontro com Trump

Durante a entrevista, Amanda Roberson também foi questionada sobre uma possível influência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na decisão do governo norte-americano. O parlamentar esteve recentemente nos Estados Unidos e participou de encontro com o presidente Donald Trump.

A porta-voz negou qualquer relação entre a visita e a medida anunciada por Washington. Segundo ela, a decisão de classificar PCC e CV como organizações terroristas foi tomada exclusivamente pelo presidente dos Estados Unidos. De acordo com Roberson, não houve interferência de agentes políticos brasileiros no processo que levou à adoção da medida.

Repercussão e implicações da decisão

A decisão norte-estadunidense gerou forte reação do governo brasileiro. Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a iniciativa e defendeu a soberania nacional. Integrantes do Palácio do Planalto também manifestaram preocupação com possíveis desdobramentos diplomáticos e jurídicos da medida.

Especialistas avaliam que a classificação pode abrir caminho para sanções financeiras relacionadas às facções, mas consideram improvável a adoção de medidas que representem qualquer tipo de intervenção direta dos Estados Unidos em território brasileiro.

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