Dinamarca envia unidades militares de elite à Groenlândia em meio às ameaças de Trump
Mobilização militar no Ártico envolve forças europeias e exercícios conjuntos na Groenlândia
247 - O Exército da Dinamarca enviou, nesta quarta-feira (21), unidades de elite para a Groenlândia, território autônomo sob soberania dinamarquesa localizado no Ártico. A mobilização, segundo a AFP, ocorre em meio a uma ampliação das atividades militares na região, que também passou a receber efetivos e equipamentos de outros países europeus. De acordo com o Comando Ártico Dinamarquês, a operação marca um momento inédito na atuação militar do país.
Unidade de elite atua em região considerada extrema
Segundo o comando militar, integrantes do Jaegerkorpset, unidade de forças especiais do Exército dinamarquês, foram deslocados para uma das áreas mais hostis da ilha. “Pela primeira vez, especialistas do Jaegerkorpset [unidade de elite das forças especiais do exército dinamarquês] foram mobilizados para o terreno mais agreste da Groenlândia, na costa de Blosseville”, informou o Comando Ártico nesta quarta-feira.
Ainda conforme a nota oficial, o objetivo da operação é “reforçar a presença no Ártico”, região que tem ganhado importância estratégica diante de mudanças climáticas e do aumento do interesse internacional.
Exercícios militares ampliam cooperação europeia
A movimentação inclui também ações navais. De acordo com a emissora dinamarquesa DR, a fragata Peter Willemoes passou a integrar o exercício Arctic Endurance, que reúne militares de diversos países europeus e teve início na Groenlândia na semana passada.
Além disso, o Comando Ártico informou que a fragata francesa Bretagne realiza exercícios conjuntos com o navio dinamarquês Thetis no Atlântico Norte, reforçando a cooperação militar entre aliados europeus na região.
Governo da Groenlândia divulga orientações de segurança
Paralelamente às operações militares, o governo da Groenlândia publicou, nesta quarta-feira, novas orientações destinadas à população em caso de crise. O documento foi apresentado como uma medida preventiva.
O ministro da Autossuficiência da Groenlândia, Peter Borg, descreveu o material como uma “apólice de seguro” à qual, segundo ele, “esperamos não ter que recorrer”.
Declarações do presidente dos EUA aumentam tensão internacional
O reforço militar ocorre em um contexto de maior atenção geopolítica sobre a Groenlândia. Nesta quarta-feira, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não usaria a força para se apoderar da ilha.
Na mesma ocasião, o presidente estadunidense defendeu a abertura imediata de negociações para a aquisição da Groenlândia, o que voltou a colocar o território no centro do debate internacional sobre segurança e soberania no Ártico. Segundo Trump, caso as negociações não avancem, “os Estados Unidos não se esquecerão”.


