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Parlamento Europeu reage a Trump e suspende acordo comercial com os EUA

Decisão interrompe avanços do Acordo de Turnberry e reage às ameaças de Donald Trump sobre a Groenlândia

Donald Trump em Davos, Suíça - 21/01/2026 (Foto: REUTERS/Denis Balibouse)

247 - O Parlamento Europeu decidiu suspender o andamento do acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos em meio à escalada de tensões diplomáticas provocadas por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Groenlândia, território semiautônomo ligado à Dinamarca. A medida interrompe negociações que estavam em fase avançada no Legislativo europeu e expõe o agravamento do impasse político entre Bruxelas e Washington.

A paralisação afeta diretamente o chamado Acordo de Turnberry, que vinha sendo discutido para estabelecer novos compromissos comerciais entre a UE e os EUA. O texto previa a suspensão de tarifas sobre todos os produtos industriais americanos exportados ao bloco europeu, além da criação de cotas tarifárias para diversos itens agroalimentares dos Estados Unidos, permitindo a entrada de volumes específicos no mercado europeu com impostos reduzidos ou zerados.

O presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, Bernd Lange, afirmou que o processo foi interrompido diante do endurecimento da postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à Groenlândia. “Ao ouvir o discurso dele [Trump] em Davos, não houve qualquer recuo de posição. Ele quer que a Groenlândia faça parte dos EUA, quer sentar à mesa para discutir um preço. O único compromisso assumido foi o de não usar força militar sobre a Groenlândia”, declarou.

Segundo Lange, a insistência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em vincular negociações comerciais a pressões geopolíticas inaugura uma nova forma de relação entre os dois lados do Atlântico. Para ele, o uso de tarifas como instrumento de coerção ficou evidente nas ameaças dirigidas à União Europeia. “Vamos manter o andamento de dois processos suspenso até que haja clareza sobre a Groenlândia e sobre essas ameaças”, afirmou. De acordo com o parlamentar, enquanto esse cenário persistir, “não há possibilidade de compromisso”.

A reação europeia ganhou respaldo de governos nacionais. A França já havia elevado o tom contra a estratégia adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, acusou Washington de recorrer a ameaças tarifárias como forma de pressão política, classificando a postura como tentativa de impor concessões consideradas injustificáveis. Barrot também manifestou apoio à suspensão do acordo e ressaltou que a Comissão Europeia dispõe de instrumentos para responder a eventuais medidas do governo americano.

O tratado comercial, firmado politicamente em julho do ano passado, previa que os Estados Unidos aplicassem tarifas de 15% sobre a maior parte dos produtos europeus, enquanto a União Europeia reduziria parte das taxas cobradas sobre importações americanas. Apesar do acerto inicial, o acordo ainda dependia da aprovação formal do Parlamento Europeu e dos governos nacionais, com entrada em vigor estimada entre março e abril deste ano.

A crise se aprofundou nas últimas semanas após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendendo a anexação da Groenlândia. “Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!”, escreveu o republicano em publicação recente nas redes sociais.

Em resposta, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda divulgaram um comunicado conjunto reafirmando o compromisso com a defesa da Groenlândia e com o fortalecimento da segurança do Ártico no âmbito da Otan. O governo groenlandês agradeceu publicamente o apoio europeu, enquanto protestos tomaram as ruas do território e de Copenhague, com milhares de pessoas criticando a intenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anexar a ilha.

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