Diplomata russo cobra voz da União Europeia em defesa da paz
Kirill Dmitriev afirmou que a União Europeia precisa adotar postura construtiva em meio às tensões sobre a Ucrânia
247 - O representante especial do presidente da Rússia para Investimentos e Cooperação Econômica com Países Estrangeiros e chefe do Fundo Russo de Investimento Direto, Kirill Dmitriev, defendeu que a União Europeia assuma uma posição mais construtiva em favor da paz diante das tensões relacionadas à Ucrânia, as informações são da TASS.
A declaração foi publicada por Dmitriev na rede social X em resposta a falas da ex-chanceler alemã Angela Merkel, que avaliou que a União Europeia não soube usar plenamente seu potencial diplomático na situação envolvendo a Ucrânia, segundo a TASS.
“A UE precisa encontrar sua voz construtiva pela paz no coro dos belicistas”, escreveu Dmitriev.
A manifestação do representante russo ocorreu após Merkel participar de um fórum organizado pela emissora alemã de televisão e rádio WDR. No evento, a ex-chanceler, que governou a Alemanha entre 2005 e 2021, afirmou que a União Europeia poderia ter explorado melhor instrumentos diplomáticos no contexto da crise ucraniana.
Segundo Merkel, em sua última cúpula da União Europeia como chanceler alemã, ela defendeu a busca por formatos de diálogo com o presidente russo Vladimir Putin. A proposta, no entanto, foi rejeitada por outros líderes europeus, que alegaram não haver uma posição comum dentro do bloco.
A ex-chanceler também afirmou que a diplomacia sempre representou “o outro lado da moeda”, inclusive durante a Guerra Fria. Para Merkel, tanto a dissuasão militar quanto a diplomacia são elementos considerados cruciais em momentos de tensão internacional.
As declarações recolocam no debate europeu o papel da diplomacia diante da guerra na Ucrânia e das divergências internas no bloco sobre como lidar com Moscou. Ao reagir às falas de Merkel, Dmitriev buscou reforçar a posição de que a União Europeia deveria atuar de forma mais ativa na construção de canais políticos voltados à paz.
A avaliação feita por Merkel também expôs diferenças sobre o grau de unidade da União Europeia em momentos decisivos. De acordo com a ex-chanceler, a ausência de consenso entre os líderes europeus impediu a adoção de uma iniciativa comum de diálogo com Putin naquele período.
O episódio ganha relevância por envolver dois pontos centrais da política europeia: a capacidade de coordenação interna da União Europeia e o espaço reservado à diplomacia em meio a cenários de confronto. Para Dmitriev, a prioridade deveria ser a construção de uma postura europeia que favoreça negociações e reduza a influência de posições voltadas ao prolongamento das hostilidades.



