Documentos revelam ligações da família real da Noruega com Epstein
Registros apontam contatos prolongados mesmo após o financista ter sido condenado
247 - Documentos recentemente tornados públicos no caso Jeffrey Epstein trouxeram novos desdobramentos sobre a rede de relações mantida pelo financista com integrantes da elite política e institucional da Noruega. Os registros apontam contatos prolongados mesmo depois de Epstein ter sido condenado, em 2008, por crimes sexuais contra crianças, o que reacendeu o debate público sobre a extensão dessas relações e seus desdobramentos políticos e institucionais no país escandinavo.
As informações foram reveladas em reportagem publicada nesta segunda-feira (2) pelo jornal O Globo, com base em documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Entre os dados mais sensíveis estão mais de 100 e-mails trocados de forma amistosa entre Epstein e a princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, em período posterior à condenação do financista.

Jeffrey Epstein foi preso em 2019, acusado de cometer ao menos 250 abusos contra meninas menores de idade. Um mês após ser detido, ele foi encontrado morto na prisão, em um caso registrado oficialmente como suicídio. A divulgação dos documentos reacendeu questionamentos internacionais sobre a rede de influência e relações pessoais mantidas pelo bilionário ao longo de décadas.
Além da princesa herdeira, outros nomes ligados à cúpula política norueguesa aparecem nos registros. Um deles é Thorbjorn Jagland, que foi primeiro-ministro da Noruega nos anos 1990, presidiu o comitê do Prêmio Nobel da Paz e atuou por uma década como secretário-geral do Conselho da Europa. De acordo com os e-mails tornados públicos, Jagland planejou férias em família, em 2014, em uma ilha pertencente a Epstein.
No sábado (31), um dia após a liberação dos documentos, Mette-Marit se pronunciou publicamente e pediu desculpas por ter mantido contato com o financista. Ela reconheceu que sua conduta demonstrou falta de discernimento. A avaliação foi endossada pelo primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Stoere, ao comentar o episódio.
“Estou usando as próprias palavras dela. Ela diz que demonstrou falta de bom senso. Concordo e acho importante dizer isso quando me pedem minha opinião sobre o assunto”, afirmou Stoere a repórteres.
Os documentos também citam Terje Rød-Larsen e Mona Juul, figuras influentes da diplomacia norueguesa. Segundo os registros, os filhos do casal estavam entre os beneficiários do testamento deixado por Epstein, o que ampliou o impacto político da revelação e aprofundou o debate público sobre os vínculos mantidos pelo financista com setores centrais da elite internacional.


