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Em nova ameaça, Marco Rubio diz que EUA podem buscar outro caminho caso negociação com Irã fracasse

Secretário de Estado Marco Rubio disse que Washington dará chance à diplomacia antes de buscar alternativas

Marco Rubio (Foto: Reuters)
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247 - O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta segunda-feira (25) que Washington buscará um acordo “bom” com o Irã, mas poderá lidar com Teerã “de outra maneira” caso as negociações fracassem. As conversas envolvem a reabertura do Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano e a liberação de recursos congelados no exterior.

A declaração foi feita a jornalistas em Nova Délhi, na Índia, antes do embarque de Rubio no Aeroporto Internacional Indira Gandhi. Segundo a Reuters, o governo dos Estados Unidos tenta conter a expectativa de um avanço iminente no conflito que já dura três meses, embora autoridades norte-americanas afirmem que há elementos em negociação para um possível acordo.

“Há algo bastante sólido em cima da mesa em termos da capacidade deles de abrir o estreito, conseguir que o estreito seja aberto, entrar em uma negociação muito real, significativa e com prazo determinado sobre a questão nuclear, e esperamos que possamos concretizar isso”, disse Rubio.

O chefe da diplomacia norte-americana afirmou que os Estados Unidos darão à diplomacia todas as chances de sucesso antes de avaliar “alternativas”. A fala ocorreu um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer que instruiu seus representantes a não se apressarem em qualquer entendimento com o Irã.

No domingo, Trump escreveu na Truth Social que o bloqueio dos Estados Unidos a navios iranianos no Estreito de Ormuz “permaneceria em pleno vigor até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado”.

“Ambos os lados devem ter calma e fazer tudo da maneira correta”, acrescentou o presidente.

O governo iraniano não respondeu imediatamente às declarações. A agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, afirmou, no entanto, que Washington ainda estaria bloqueando partes de um eventual acordo, incluindo a exigência de Teerã pela liberação de fundos congelados.

As negociações ocorrem em torno de pontos considerados sensíveis. Além da reabertura do Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde, antes do conflito, transitava cerca de um quinto dos carregamentos globais de petróleo e gás natural liquefeito, os dois países discutem o destino do urânio enriquecido iraniano, o levantamento de sanções e a liberação de dezenas de bilhões de dólares em receitas de petróleo mantidas em bancos estrangeiros.

Autoridades norte-americanas citadas pela Reuters afirmam que o Irã teria concordado “em princípio” em abrir o Estreito de Ormuz em troca da suspensão do bloqueio naval dos Estados Unidos. Segundo um alto funcionário do governo Trump, Teerã também teria aceitado descartar seu urânio altamente enriquecido.

A mesma autoridade afirmou que Washington entende que o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, apoiou as linhas gerais do acordo. Não houve confirmação imediata por parte de Teerã nem detalhamento sobre o alcance de um entendimento “em princípio”.

De acordo com a proposta descrita por autoridades norte-americanas, a primeira etapa seria a reabertura do estreito e a retirada do bloqueio naval dos Estados Unidos. As medidas nucleares, por sua complexidade, exigiriam mais tempo de negociação.

Um segundo alto funcionário do governo Trump disse no domingo que a estrutura proposta daria aos negociadores 60 dias para alcançar um acordo final. Fontes iranianas ouvidas pela Reuters afirmaram que, em etapas futuras, poderiam ser encontradas “fórmulas viáveis” para resolver a disputa sobre o estoque de urânio altamente enriquecido, incluindo a diluição do material sob supervisão da agência nuclear da ONU.

O Irã nega há anos as acusações dos Estados Unidos e de Israel de que busca desenvolver armas nucleares. Teerã afirma ter direito ao enriquecimento de urânio para fins civis, embora o nível de pureza alcançado pelo país esteja muito acima do necessário para geração de energia.

A expectativa de avanço diplomático teve impacto imediato nos mercados. Os preços do petróleo caíram 6% na segunda-feira e atingiram mínimas de duas semanas, em meio ao otimismo de que Washington e Teerã possam se aproximar de um acordo.

Trump havia aumentado as expectativas no sábado ao afirmar que os Estados Unidos e o Irã haviam “negociado amplamente” um memorando de entendimento para um acordo de paz que reabriria o Estreito de Ormuz. A Casa Branca, porém, passou a moderar o tom diante dos impasses ainda existentes.

O presidente também respondeu a críticos de sua condução das negociações e de sua disposição para negociar com Teerã.

“Se eu fizer um acordo com o Irã, será um acordo bom e adequado (...) Portanto, não escutem os perdedores, que criticam algo sobre o qual nada sabem”, publicou Trump no domingo.

Um eventual acordo que consolide o cessar-fogo frágil em vigor desde o início de abril poderia trazer alívio aos mercados, mas não resolveria de imediato a crise energética global. O conflito elevou custos de combustíveis, fertilizantes e alimentos, pressionando economias em diferentes regiões.

A guerra começou em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Os bombardeios mataram milhares de pessoas no Irã antes de serem suspensos no início de abril.

O conflito também se estendeu ao Líbano, onde Israel invadiu o país em perseguição ao movimento de resistência Hezbollah, apoiado pelo Irã. A ofensiva israelense matou milhares de pessoas e deslocou centenas de milhares de moradores. Ataques iranianos contra Israel e países vizinhos do Golfo mataram dezenas.

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