Espanha registra recorde de importação de gás russo em meio à crise energética global
Dados indicam 9.807 GWh importados em março em meio ao cenário de instabilidade decorrente das agressões dos EUA e Israel ao Irã
247 - A Espanha, país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), registrou em março um volume recorde de importações de gás russo, em meio a um cenário de crise energética. As informações foram divulgadas pelo jornal El País, com base em dados do operador do sistema gasista Enagás.
Segundo a RT Brasil, as compras somaram cerca de 9.807 gigawatts-hora (GWh), configurando o maior nível mensal já registrado pelo país. O aumento ocorre em um contexto de instabilidade no mercado energético internacional decorrente do conflito no Oriente Médio iniciado pelas agressões dos Estados Unidos e Israel ao Irã.
O volume adquirido pela Espanha supera inclusive os níveis registrados em 2023, período marcado por forte alta nos preços da energia.
Sanções e fornecimento europeu
Apesar das sanções da União Europeia contra a Rússia, o cronograma aprovado por Bruxelas permite a continuidade das compras de hidrocarbonetos russos até 2027. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que houve aumento da demanda em mercados alternativos. Segundo ele, "os mercados alternativos são muito vorazes: há muitas solicitações de fornecimento".
Peskov também indicou que a Rússia mantém disposição para seguir fornecendo energia à Europa, dentro das possibilidades de oferta. "Por que não? Se restar gás após atender aos mercados alternativos. Por enquanto há muito, por enquanto sobra", declarou.
Impacto na Europa
O comissário europeu de Energia, Dan Jorgensen, afirmou no início de abril que a alta dos preços do petróleo e do gás, impulsionada pelo cenário de guerra no Oriente Médio, não deve ser revertida no curto prazo.
Segundo ele, desde o início do conflito, os gastos da União Europeia com importações de combustíveis fósseis aumentaram em 14 bilhões de euros, equivalente a mais de 16 bilhões de dólares.
Jorgensen também defendeu que países do bloco considerem medidas para reduzir o consumo de petróleo e gás no setor de transportes, como forma de preparação para uma possível "disrupção prolongada".


