EUA admitem envio de tropas à Nigéria
Pentágono confirma "pequena equipe" em solo nigeriano em meio à pressão de Trump
Reuters - Os Estados Unidos enviaram uma pequena equipe de tropas à Nigéria, afirmou nesta terça-feira (3) o general responsável pelo comando militar dos EUA para a África, no primeiro reconhecimento da presença de forças estadunidenses em solo nigeriano desde que Washington realizou ataques aéreos no dia de Natal.
O presidente Donald Trump ordenou ataques aéreos contra o que descreveu como alvos do Estado Islâmico na Nigéria em dezembro e disse que pode haver mais ações militares dos EUA no país.
A Reuters informou anteriormente que os Estados Unidos vinham realizando voos de vigilância sobre a Nigéria a partir de Gana desde pelo menos o fim de novembro.
O general afirmou que a equipe foi enviada após os dois países concordarem que era necessário fazer mais para combater a ameaça terrorista na África Ocidental.
"Isso levou a uma maior colaboração entre nossos países, incluindo uma pequena equipe dos EUA que leva algumas capacidades específicas dos Estados Unidos", disse o general Dagvin R. M. Anderson, chefe do Comando da África das Forças Armadas dos EUA, o AFRICOM, a jornalistas durante uma coletiva de imprensa nesta terça-feira.
Anderson não forneceu mais detalhes sobre o tamanho da equipe nem sobre o alcance da missão.
O ministro da Defesa, Christopher Musa, confirmou que uma equipe está atuando na Nigéria, mas também não deu mais informações.
Um ex-funcionário dos EUA disse que a equipe estadunidense parecia estar fortemente envolvida na coleta de informações de inteligência e em dar suporte para que as forças nigerianas ataquem grupos ligados ao terrorismo.
A Nigéria passou a sofrer forte pressão de Washington após o presidente Trump acusar o país da África Ocidental de não proteger cristãos de militantes islâmicos que atuam no noroeste.
O governo nigeriano nega qualquer perseguição sistemática a cristãos e afirma que está combatendo combatentes e outros grupos armados que atacam civis cristãos e muçulmanos.
Combatentes do Boko Haram e da Província da África Ocidental do Estado Islâmico intensificaram ataques contra comboios militares e civis, e o noroeste continua sendo o epicentro do conflito que já dura 17 anos.
O Comando da África das Forças Armadas dos EUA informou que o ataque foi realizado no estado de Sokoto, em coordenação com as autoridades nigerianas, e matou vários militantes do ISIS.
O ataque ocorreu depois que Trump, no fim de outubro, passou a alertar que, em sua visão, o cristianismo enfrenta uma "ameaça existencial" na Nigéria e ameaçou intervir militarmente no país da África Ocidental por considerar que o governo nigeriano não conseguiu conter a violência contra comunidades cristãs.


