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EUA bloqueiam comércio marítimo do Irã e ampliam pressão, apesar do otimismo em relação a novas negociações

Trump aposta na retomada de negociações e mercados reagem com queda do petróleo

Embarcação no Estreito de Ormuz (Foto: Reuters)

247 - Os Estados Unidos intensificaram a pressão sobre o Irã ao bloquear o comércio marítimo do país, ao mesmo tempo em que o presidente Donald Trump sinalizou a possibilidade de retomada das negociações para encerrar o conflito. A medida ocorre em meio a expectativas de novos encontros diplomáticos e já impacta mercados globais, com queda nos preços do petróleo pelo segundo dia consecutivo.

Segundo a agência Reuters, autoridades americanas afirmaram que as forças militares dos EUA interromperam completamente o fluxo marítimo de entrada e saída do Irã, atingindo diretamente a principal base econômica do país. Ainda de acordo com a Reuters, há expectativa de que delegações dos dois países retornem ao Paquistão ainda nesta semana para novas rodadas de negociação.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que as conversas podem ser retomadas nos próximos dias e demonstrou otimismo em relação ao processo. “Acho que vocês vão presenciar dois dias incríveis”, afirmou ao jornalista Jonathan Karl, da ABC News. Trump acrescentou que não considera necessário estender o cessar-fogo de duas semanas, previsto para terminar em 21 de abril. “Pode terminar de qualquer maneira, mas acho que um acordo é preferível porque assim eles podem reconstruir”, disse. “Eles realmente têm um regime diferente agora. Independentemente do que aconteça, nós nos livramos dos radicais.”

O vice-presidente JD Vance, que liderou as negociações mais recentes, também indicou confiança, embora tenha ressaltado os desafios. “Você não vai resolver esse problema da noite para o dia”, afirmou durante um evento nos Estados Unidos.

Apesar do discurso diplomático, o bloqueio naval já apresenta efeitos concretos. O almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA, declarou que a operação interrompeu totalmente o comércio marítimo iraniano em menos de 36 horas. “Em menos de 36 horas desde a implementação do bloqueio, as forças americanas interromperam completamente o comércio econômico que entra e sai do Irã por via marítima”, disse.

O impacto é significativo, já que, segundo militares americanos, cerca de 90% da economia iraniana depende desse fluxo marítimo. Navios começaram a ser impedidos de atracar em portos iranianos, incluindo petroleiros sancionados, como o Rich Starry, de propriedade chinesa, que recuou após deixar o Golfo Pérsico.

No cenário internacional, sinais de avanço diplomático contribuíram para aliviar tensões nos mercados. Os preços do petróleo recuaram novamente, enquanto bolsas asiáticas registraram alta e o dólar apresentou estabilidade após dias de queda.

O conflito, iniciado em 28 de fevereiro, já deixou cerca de 5 mil mortos, sendo aproximadamente 3 mil no Irã e 2 mil no Líbano. A guerra também afetou o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás, com o Irã restringindo o tráfego na região.

As negociações seguem travadas em pontos sensíveis, especialmente em relação ao programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos propuseram a suspensão das atividades nucleares por 20 anos, enquanto o Irã sugeriu um período entre três e cinco anos. O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou que a duração de qualquer acordo será uma decisão política e indicou a possibilidade de compromisso entre as partes.

Outro impasse envolve o destino do material nuclear enriquecido e a retirada de sanções internacionais contra Teerã. Ainda assim, fontes envolvidas nas negociações indicam avanços discretos por meio de canais indiretos, aproximando os lados de um possível entendimento.

A situação permanece complexa, especialmente devido à continuidade dos ataques de Israel no Líbano contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. Países como Reino Unido, Canadá e Japão condenaram recentemente a morte de forças de paz da ONU e pediram o fim imediato das hostilidades.

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