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EUA devem usar quase usar quase todo o estoque de mísseis de cruzeiro em novos ataques ao Irã

Uso intensivo de mísseis JASSM-ER na guerra contra o Irã levanta preocupações sobre capacidade militar em outros conflitos

EUA devem usar quase usar quase todo o estoque de mísseis de cruzeiro em novos ataques ao Irã (Foto: Força aérea dos EUA)

247 - A intensificação dos ataques dos Estados Unidos contra Irã está consumindo rapidamente o arsenal de mísseis de cruzeiro JASSM-ER, reduzindo significativamente os estoques disponíveis e levantando dúvidas sobre a capacidade militar americana em outros cenários de conflito.

De acordo com informações divulgadas pela agência Bloomberg, centenas desses mísseis foram deslocados de bases ao redor do mundo para o Oriente Médio desde o início das operações, enquanto mais de mil unidades já foram utilizadas no conflito.

Estoques pressionados por uso intensivo

Fontes militares ouvidas pela Bloomberg indicam que o reposicionamento dos armamentos ocorreu no fim de março, em paralelo ao ultimato feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz. Os mísseis foram enviados principalmente para bases do Comando Central dos EUA e para a base aérea de Fairford, no Reino Unido.

Segundo essas informações, após o uso intensivo no conflito, restam apenas cerca de 425 mísseis JASSM-ER disponíveis para operações fora do teatro envolvendo o Irã. Trata-se de um número considerado crítico, diante da amplitude dos compromissos militares globais dos Estados Unidos.

Os mísseis JASSM-ER, fabricados pela Lockheed Martin, são capazes de atingir alvos a mais de mil quilômetros de distância e possuem tecnologia para evitar sistemas de defesa aérea. Cada unidade custa aproximadamente US$ 1,5 milhão e pode ser lançada por bombardeiros estratégicos e caças.

Redistribuição global de armamentos

O esforço militar no Oriente Médio tem provocado uma redistribuição significativa de armamentos. Sistemas defensivos como Patriot e THAAD também foram deslocados de outras regiões, especialmente da Ásia, para reforçar a proteção contra ataques iranianos com drones e mísseis.

Relatórios indicam que, desde 28 de fevereiro, os Estados Unidos já atingiram mais de 12 mil alvos dentro do território iraniano. Paralelamente, o jornal Washington Post revelou que mais de 850 mísseis Tomahawk foram utilizados, contribuindo para a redução acelerada dos estoques.

Impactos estratégicos e riscos futuros

Especialistas apontam que o elevado consumo de armamentos pode comprometer a capacidade de resposta dos EUA em outros cenários estratégicos, como a guerra na Ucrânia ou eventuais tensões no Pacífico Ocidental envolvendo a China.

O consultor sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), Mark Cancian, destacou os riscos dessa situação em entrevista ao Military Times: “Temos o suficiente de tudo, incluindo mísseis Tomahawk, Patriot e THAAD, para lutar o conflito atual, ou seja, a ‘[Operação] Fúria Épica’. O problema é o efeito em outros teatros de operações, como a Ucrânia e o Pacífico Ocidental, um conflito contra a China. E os estrategistas estão muito preocupados com o fato de que a redução dos estoques enfraquecerá nossa capacidade de dissuasão ou de combater um conflito nessas regiões.”

Diante desse cenário, a Casa Branca já defendeu, em sua proposta de orçamento para 2027, a ampliação da capacidade industrial para produção de armamentos, numa tentativa de recompor estoques e garantir maior prontidão militar no futuro.

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