EUA e Irã encerram negociações com promessa de avanço e impasses
Mediadas por Omã em Genebra, conversas indicam progresso, mas divergências sobre enriquecimento de urânio e mísseis mantêm tensão elevada
247 - As negociações indiretas entre Irã e Estados Unidos foram concluídas em Genebra nesta quinta-feira (26), com declarações públicas de “progresso significativo”, embora poucos detalhes concretos tenham sido divulgados sobre possíveis concessões de parte a parte, informa a Al Jazeera.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que novas conversas técnicas ocorrerão na próxima semana, em Viena, e avaliou que o avanço obtido foi “bom”. “Essas foram as conversas mais sérias e longas”, declarou o chanceler iraniano.
O processo foi conduzido pelo ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr bin Hamad Al Busaidi, responsável por intermediar o diálogo entre as delegações. Ele informou que diplomatas dos dois países irão consultar seus respectivos governos antes do próximo encontro na capital austríaca.
Embora não tenham sido divulgados detalhes sobre o conteúdo das discussões, a agência iraniana Tasnim noticiou que Araghchi se reuniu brevemente com o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff. A delegação norte-americana foi liderada por Witkoff e contou também com a presença de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Propostas e papel da AIEA
A equipe iraniana entregou propostas escritas a Al Busaidi na noite de quarta-feira. O chanceler omanita, que já havia mediado rodadas anteriores em Genebra e Mascate, apresentou o documento aos representantes norte-americanos no dia seguinte.
Participou ainda das negociações o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, cuja instituição deverá assumir funções de monitoramento e verificação caso um acordo nuclear seja firmado. A AIEA realizará reuniões de seu conselho a partir de 6 de março, em data próxima ao prazo de 10 a 15 dias mencionado por Trump na semana anterior para que Teerã avance em direção a um entendimento.
Impasse sobre enriquecimento e mísseis
As divergências centrais permanecem. Washington sustenta, em alinhamento com Israel, que não aceitará qualquer nível de enriquecimento de urânio em território iraniano, mesmo para fins civis previstos no acordo nuclear de 2015 — pacto abandonado unilateralmente por Trump em 2018. Nos dias que antecederam a rodada de Genebra, autoridades dos EUA também enfatizaram preocupações com o programa de mísseis balísticos iraniano, alegando ameaça a bases militares norte-americanas no Oriente Médio e a Israel.
Teerã rejeita discutir seu arsenal convencional. Autoridades iranianas, incluindo o presidente Masoud Pezeshkian, reiteram que o país não desenvolverá armas nucleares.
Em visita a autoridades locais, Pezeshkian respondeu às declarações de Trump, que em discurso classificou o Irã como “o maior patrocinador do terrorismo no mundo”. O presidente iraniano afirmou que diversos dirigentes e cientistas nucleares do país foram assassinados ao longo das décadas, especialmente após a Revolução Islâmica de 1979. “Se as realidades forem vistas de forma justa, ficará claro que o Irã não é apenas um apoiador do terrorismo, mas uma das principais vítimas do terror na região e no mundo”, disse.
A agência estatal IRNA informou que a proposta iraniana busca avaliar a “seriedade” dos Estados Unidos nas negociações, por conter ofertas descritas como “ganha-ganha”. Embora nem todos os detalhes tenham sido tornados públicos, acredita-se que o plano inclua a diluição de parte do estoque de urânio enriquecido a 60%, mantendo-o no país. Em contrapartida, haveria oportunidades econômicas para empresas norte-americanas ligadas aos setores de petróleo, gás e compra de aeronaves.


