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EUA e Irã realizam hoje nova rodada de negociações em Genebra

Conversas tratam de enriquecimento de urânio, transparência e tensões militares em meio a alertas sobre risco de guerra

Imagem ilustrativa de bandeiras dos EUA e do Irã - 18/06/2025 (Foto: REUTERS/Dado Ruvic)

247 - Representantes dos Estados Unidos e do Irã realizam nesta quinta-feira (26) uma nova rodada de negociações nucleares em Genebra, em um cenário de tensão crescente no Oriente Médio. As discussões ocorrem enquanto Washington reforça a presença militar na região e Teerã insiste na via diplomática como alternativa a um confronto armado.

As informações são do Al Jazeera, que acompanha em tempo real os desdobramentos do diálogo entre as duas delegações. Segundo a cobertura, o encontro é considerado decisivo para avaliar se há espaço para um acordo capaz de conter o avanço do programa nuclear iraniano e evitar uma escalada militar.

Trump defende “paz pela força”, diz líder republicano

No Congresso norte-americano, o líder da maioria republicana no Senado, John Thune, afirmou estar “ouvindo … e observando” a situação enquanto ativos militares dos Estados Unidos são deslocados para o Oriente Médio. Questionado sobre eventual apoio a ataques limitados contra o Irã ou envio de tropas para promover mudança de regime, Thune declarou que a mobilização ocorre em “resposta à crença de que há um interesse de segurança nacional envolvido”.

“Isso diz respeito não apenas ao nosso território, mas também a muitos de nossos aliados na região”, afirmou. Sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acrescentou: “Eu não sei se ele já tomou qualquer decisão sobre isso. Mas acho que ele está se preparando para contingências e está seguindo sua política de paz pela força e trabalhando com aliados na região para garantir que impeçamos o Irã de ter capacidade nuclear”.

Analista descarta urgência para ação militar

Para Richard Weitz, pesquisador sênior do NATO Defense College, não há “imperativo” para que Trump ataque o Irã neste momento. “O Irã não vai obter uma arma nuclear tão cedo”, disse. Ele também afirmou não enxergar fatores que imponham um prazo imediato para uma ação militar.

Na avaliação do especialista, o aumento da presença militar dos EUA pode “facilitar a via diplomática” e oferecer “opções” ao presidente norte-americano, mantendo o foco em uma solução negociada.

Weitz afirmou que as conversas em Genebra devem se concentrar em “três questões centrais” relacionadas ao programa nuclear iraniano: o nível de enriquecimento de urânio permitido em território iraniano; o destino do material já enriquecido; e a criação de um mecanismo de transparência para monitorar atividades nucleares sensíveis.

“Essas três questões centrais podem ser tratadas imediatamente”, declarou ao Al Jazeera. Segundo ele, outros temas, como o estoque de mísseis iranianos e suas relações com aliados regionais, exigirão discussões adicionais. “Há muito material disponível que podemos utilizar, só é preciso decidir qual será o objetivo conjunto”, completou.

Irã envia resposta por meio de Omã

De acordo com a imprensa iraniana, autoridades de Teerã entregaram uma resposta destinada aos representantes norte-americanos ao ministro das Relações Exteriores de Omã, em Genebra. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, também se reuniu com seu homólogo omanense, Badr al-Busaidi, e expôs as posições do Irã sobre a questão nuclear e a suspensão de sanções.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que o sucesso das negociações depende “da seriedade da outra parte e da sua abstenção de comportamentos e posições contraditórias”.

“Seria uma guerra devastadora”, alerta chanceler iraniano

Diante dos temores de conflito, Araghchi advertiu sobre as consequências de uma escalada militar. “Não haveria vitória para ninguém – seria uma guerra devastadora”, afirmou.

Ele destacou que a presença de bases norte-americanas espalhadas pela região poderia ampliar o alcance de um eventual confronto. “Como as bases americanas estão espalhadas por diferentes lugares da região, infelizmente talvez toda a região se envolvesse e fosse afetada, então é um cenário muito terrível”, declarou.

Apesar das tensões, o chanceler classificou as negociações como “uma oportunidade histórica” e afirmou que um acordo está “ao alcance”.

Mísseis iranianos e acusações de “fake news”

Araghchi também rebateu declarações de Trump de que o Irã estaria desenvolvendo um míssil capaz de atingir o território continental dos Estados Unidos. Segundo ele, os armamentos iranianos são “de natureza defensiva”.

O chanceler afirmou que o país não está desenvolvendo mísseis com esse alcance e que as Forças Armadas iranianas “deliberadamente limitaram” o raio de seus mísseis a 2.000 quilômetros.

Em resposta às declarações do presidente dos Estados Unidos, disse que Trump “se tornou vítima de fake news”. “Isso é exclusivamente para nossa própria defesa. Nossos mísseis são de natureza defensiva; são construídos puramente para dissuasão e para nos ajudar a nos defender – exatamente como fizeram em junho passado”, afirmou, em referência a um ataque israelense apoiado pelos EUA. “Nós apenas nos defendemos. Do ponto de vista deles, pode ser considerado um ato ilegal, mas do nosso ponto de vista foi um ato legítimo dentro da estrutura da autodefesa.”

Washington diz que prefere a diplomacia

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou que Trump prefere soluções diplomáticas. “Eu não acho que a diplomacia esteja fora da mesa. O presidente quer soluções diplomáticas. Ele as prefere”, afirmou, acrescentando esperar que as conversas em Genebra sejam “produtivas”.

Rubio alegou que, após o programa nuclear iraniano ter sido “obliterado”, Teerã foi advertido a não retomá-lo. “Você pode vê-los sempre tentando reconstruir elementos dele. Eles não estão enriquecendo agora, mas estão tentando chegar ao ponto em que, eventualmente, possam”, disse. Ele também afirmou que o Irã possui mísseis balísticos capazes de atingir ativos e aliados dos EUA na região, além de recursos navais que ameaçariam rotas marítimas.

O governo iraniano, por sua vez, já declarou repetidamente que seus mísseis balísticos não fazem parte das negociações.

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